FMI alerta para “forte valorização dos preços dos imóveis” em Portugal

A instituição liderada por Christine Lagarde refere que, em certas zonas de Portugal, a procura já é superior à oferta. O turismo continua a ser o principal impulsionador.

Cada vez é mais difícil comprar casa, principalmente devido aos preços que não param de subir. Já foram várias as entidades a alertar para este rápido aceleramento dos preços dos imóveis e, desta vez, o Fundo Monetário Internacional (FMI) deixa um aviso: há algumas zonas do país onde se vê uma “forte valorização” dos preços, impulsionada pelos desajustes entre a oferta e a procura.

“Certas vulnerabilidades financeiras podem estar a surgiu em alguns bolsos. Há lugares — como por exemplo Luxemburgo, algumas cidades alemãs e outras zonas em Portugal e na Holanda –, onde os desajustes entre a procura e a oferta estão a impulsionar uma forte valorização dos preços dos imóveis residenciais e comerciais“, lê-se no Relatório do FMI, publicado esta quinta-feira.

De acordo com o mesmo documento, a instituição liderada por Christine Lagarde notou “riscos de sobreaquecimento em vários países da União Europeia (UE)”, com destaque para os preços dos imóveis em 15 países, não especificando quais.

Esta não é a primeira vez que o FMI alerta para as subidas do mercado imobiliário português. No final de maio, a instituição deixou nove alertas e três elogias a Portugal, referindo que é importante ter atenção ao imobiliário, uma vez que está a agravar as perspetivas para a evolução do setor financeiro. No mesmo documento, lia-se que o aumento dos preços das casas deve ser “monitorizado”, tendo em conta o peso que o crédito à habitação tem sobre o bolo total do crédito concedido pelos bancos.

Banco de Portugal também alertou. E culpou o turismo

No mês passado, o Banco de Portugal referiu que esta escalada dos preços ainda não é preocupante, no entanto, há sinais de sobrevalorização. E, caso o boom no turismo perca força, também defendeu que poderá haver uma correção no valor dos imóveis, que pode pôr em causa a estabilidade do sistema financeiro nacional. “Em Portugal, tem-se observado um período continuado de aumento dos preços no mercado imobiliário”, referiu.

“Na segunda metade do ano passado, começaram a existir sinais de alguma sobrevalorização, ainda que limitada, dos preços do mercado imobiliário residencial em Portugal”, continuou a instituição liderada por Carlos Costa. E, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), essa tendência mantém-se, com o metro quadrado a fixar-se em 1.176 euros em maio, uma subida de 5,9% face ao mesmo mês do ano passado.

A verdade é que o turismo tem sido o principal impulsionador deste mercado, uma vez que uma boa parte dos investidores imobiliários são internacionais. “O forte crescimento dos preços do imobiliário residencial (…) tem sido impulsionado pelo turismo e pelo investimento direto por não residentes, podendo a sua inversão alterar esta dinâmica”, alertou o Banco de Portugal.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

FMI alerta para “forte valorização dos preços dos imóveis” em Portugal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião