“Vários bancos podem enfrentar desafios em casos extremos”, alerta o FMI

  • Rita Atalaia
  • 19 Julho 2018

O FMI fez um teste à banca europeia. E apesar de reconhecer que foram feitos progressos no setor, alerta que "vários bancos" podem enfrentar problemas de liquidez num cenário extremo de crise.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece que o setor bancário fez muitos progressos para aumentar a resiliência no caso de uma nova crise. Contudo, a entidade liderada por Christine Lagarde alerta que há “vários bancos” que podem enfrentar desafios de liquidez num cenário hipotético extremo. Isto numa altura em que as instituições financeiras mantêm os esforços para limpar o crédito malparado do balanços de maneira a regressarem de forma sustentável à rentabilidade.

“A resiliência do sistema a choques de liquidez aumentou nos últimos anos”, começa por elogiar o FMI, depois de realizar um teste de stress ao setor bancário como um todo, no ano passado. Contudo, o fundo deixa alertas: “Vários bancos podem enfrentar problemas de liquidez em cenários extremos, considerando que apenas estão disponíveis ativos negociáveis”.

De acordo com a entidade liderada por Christine Lagarde, “vulnerabilidades importantes e heterogéneas [dos maiores bancos da Zona Euro] ficam expostas em cenários de stress“, nos quais há choques financeiros, nomeadamente devido ao forte abrandamento da economia. Ou seja, os “resultados agregados do setor passam de lucros de 51 mil milhões de euros no ano passado para prejuízos de 24 mil milhões de euros até 2020”.

"Vários bancos podem enfrentar problemas de liquidez em cenários extremos, considerando que apenas estão disponíveis ativos negociáveis.”

Fundo Monetário Internacional

Não são apenas os resultados dos bancos que ficam sob pressão, os rácios de capital, o indicador de resiliência dos bancos, também são fortemente penalizados. “Um aumento abrupto e acentuado das taxas de juro pode ter impacto significativo no capital dos bancos”, afirma o FMI, que estima que num cenário de recessão, “o rácio de capital CET1 passa de 13,9% no final de 2017 para 10% em 2020”.

Neste cenário extremo, apenas os bancos que têm sido capazes de diversificar o risco de crédito e as fontes de financiamento é que “estarão preparados para absorver condições macrofinanceiras adversas”, defende o fundo, com base nos resultados do teste de stress que em muito difere daquele que é realizado pela Autoridade Bancária Europeia (EBA), nomeadamente em termos do nível de exigência.

Teste de stress do FMI vs EBA

O testes de stress do FMI é realizado para perceber qual a resiliência do setor em cenários extremos de choques económicos. Apesar de ser semelhante àquele que é aplicado pela EBA, há algumas diferenças que o fundo enumera neste relatório.

É que enquanto o FMI faz uma análise ao setor como um todo, a EBA aplica o testes de stress a cada banco, com um nível de exigência muito mais elevado. Aliás, a autoridade bancária considera que os testes que vai aplicar este ano, e dos quais os bancos portugueses foram excluídos, serão “os mais exigentes de sempre”.

Além disso, a EBA pede que sejam os bancos a projetarem o impacto dos cenários hipotéticos nas posições de capital, mas com uma série restrições definidas na metodologia comum. Pelo contrário, no FMI, é a equipa do fundo que desenvolve estas estimativas.

Quanto aos riscos tendo em conta nesta exame à resiliência do setor financeiro, e apesar de usarem uma metodologia muito semelhante, o FMI não avalia riscos de conduta e outros riscos operacionais.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Vários bancos podem enfrentar desafios em casos extremos”, alerta o FMI

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião