CTT vão reforçar capital do banco para financiar compra da 321 Crédito por 100 milhões

O Banco CTT adquiriu por 100 milhões de euros a 321 Crédito, uma empresa especializada em financiamento automóvel. CTT garantem negócio com reforço do capital do banco.

O Banco CTT comprou uma empresa de crédito por 100 milhões de euros, anunciou num comunicado enviado à CMVM. Trata-se da 321 Crédito, “uma instituição de crédito ao consumo especializado com um elevado desempenho” e que conta com uma “rede de pontos de venda” no mercado de “financiamento à compra de automóveis usados”. O negócio vai obrigar a um aumento de capital já assegurado pelos CTT.

Essa necessidade foi confirmada pelo próprio presidente dos CTT. “Obviamente que o Banco CTT participa nessa transação com o apoio de capital reforçado do seu acionista único que são os CTT”, frisou Francisco de Lacerda em declarações ao ECO.

Com esta compra, o banco pretende reforçar a prestação de serviços financeiros de retalho. “Esta aquisição representa um passo lógico e importante na estratégia do Banco CTT”, sublinha a empresa. “A 321 Crédito irá permitir a diversificação do portefólio de produtos do Banco CTT com um negócio rentável e resiliente de crédito ao consumo, que historicamente tem demonstrado elevados retornos sobre o capital e reduzidos níveis de incumprimento de crédito”, garante a companhia.

Este negócio terá ainda um grande impacto em termos do reforço da atividade do banco. “Com esta aquisição pensamos que robustecemos o banco no conjunto e que acelera o crescimento do lado do crédito, passando o rácio de transformação de depósitos em crédito de cerca de 20% para 60% no proforma de integração desta empresa, explicou Francisco de Lacerda ao ECO.

A 321 Crédito fechou o ano de 2017 com uma carteira líquida de crédito no valor de 251 milhões de euros, um crescimento de 62% face a 2016, e obteve lucros de 7,9 milhões de euros. No primeiro semestre de 2018, a empresa já originou “mais de 80 milhões de euros em crédito” para a compra de automóveis em segunda mão, com a carteira de crédito a ultrapassar os 300 milhões de euros. Os CTT esperam que a 321 Crédito, anteriormente detida pela Cabot Square Capital e pela Eurofun, “continue a demonstrar uma forte dinâmica de crescimento”.

Os CTT esperam concluir esta transação no primeiro trimestre de 2019, sendo que “o preço final está sujeito a um mecanismo de ajuste após a conclusão da transação, de modo a refletir as variações no capital regulatório da 321 Crédito após 31 de dezembro de 2017”, refere a mesma nota. O banco antecipa, por isso, uma melhoria do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) já em 2019 e lucros em 2020.

“Em paralelo com a aquisição do capital social da 321 Crédito, o Banco CTT acordou ainda a tomada de posição nos créditos detidos pela AL Securitisation Limited, entidade igualmente controlada pelos acionistas, sobre a 321 Crédito, existentes aquando da conclusão da transação (cujo valor do capital na presente data corresponde a 30,6 milhões de euros, aplicando para o efeito a liquidez do Banco CTT”, anuncia também a empresa.

Numa nota enviada às redações, Francisco de Lacerda, presidente executivo dos CTT, sublinha que “este é mais um importante passo no desenvolvimento e reforço da estratégia” da empresa dos correios. Essa estratégia, diz o gestor, “inclui importantes investimentos e iniciativas no Banco CTT, no Expresso & Encomendas e no Plano de Transformação que visa a melhoria da eficiência e qualidade do negócio postal”.

Ao ECO, Francisco de Lacerda adiantou que este negócio não coloca em causa atual parceria que o Banco CTT tem com a Cetelem na área dos cartões de crédito e da concessão de crédito ao consumo. “A parceria com a Cetelem não é de modo nenhum afetada por esse negócio que estamos a anunciar”, afirmou o CEO dos CTT, acrescentando que “é uma empresa que complementa a nossa oferta de crédito num segmento onde não estávamos e que nos traz um conjunto de clientes”.

Por sua vez, Luís Pereira Coutinho, presidente executivo do Banco CTT, sublinha a “história de sucesso” da 321 Crédito. Considera, por isso, que a aquisição da empresa constitui “um passo adicional na afirmação do Banco [CTT]”, pois vai expandir a presença da instituição “junto dos portugueses”. Em dois anos, o Banco CTT atraiu mais de 350 mil clientes e 730 milhões de euros em depósitos, números registados no final do primeiro semestre.

(Notícia atualizada às 20h00 com declarações de Francisco de Lacerda, CEO dos CTT)

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CTT vão reforçar capital do banco para financiar compra da 321 Crédito por 100 milhões

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião