Catarina Martins assume “erro de análise da direção” do BE sobre caso de Robles

  • Lusa
  • 1 Agosto 2018

Para a líder bloquista, as circunstâncias do vereador criavam "um entrave quotidiano no trabalho do próprio Ricardo na autarquia".

A coordenadora bloquista, Catarina Martins, assumiu esta terça-feira que “houve um erro de análise da direção política do BE” sobre o caso de Ricardo Robles, uma vez que a contradição criaria um “entrave quotidiano” ao trabalho como vereador em Lisboa.

Em entrevista à RTP3 na noite passada, Catarina Martins foi questionada sobre o caso de Ricardo Robles, que renunciou segunda-feira ao lugar de vereador da Câmara de Lisboa na sequência de uma notícia segundo a qual, em 2014, o autarca adquiriu um prédio em Alfama por 347 mil euros, que foi reabilitado e posto à venda em 2017, avaliado em 5,7 milhões de euros.

“É preciso compreender também – e essa parte cabe-me a mim assumir – que houve um erro de análise da direção política do BE e esse deve ser assumido também”, admitiu a líder bloquista.

De acordo com Catarina Martins, “reconhecendo o erro” de ter havido intenção de vender o imóvel, mas também tendo em conta o “trabalho extraordinário” desenvolvido por Ricardo Robles como vereador, a direção do partido entendeu que “o essencial era que ele prestasse todos os esclarecimentos e que isso seria condição para ele manter o seu trabalho”.

“Esse revelou-se um erro de análise e cabe-me a mim reconhecê-lo porque, de facto, a contradição era grande, porque de facto não foi possível explicar e porque isso criava um entrave quotidiano no trabalho do próprio Ricardo na autarquia”, assumiu.

A avaliação que a direção do BE fez na sexta-feira em que o caso foi conhecido foi de que “esse erro deveria ser explicado porque já tinha sido travado” e que Ricardo Robles “se tinha comportado de uma forma irrepreensível com os seus inquilinos, não tinha usufruído do seu cargo para a sua vida particular e tinha travado o negócio que era contrário” aquilo que é defendido pelo partido.

Numa nota enviada à agência Lusa na noite de sexta-feira, a comissão política do BE defendeu que a conduta do até então vereador “em nada diminuía a sua legitimidade na defesa das políticas públicas que tem proposto e que continuará a propor”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Catarina Martins assume “erro de análise da direção” do BE sobre caso de Robles

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião