Eduardo Cabrita diz que Ministério da Agricultura não tem nenhum plano por aprovar

Produtores Florestais do Barlavento Algarvio dizem que esperam um plano combate aos incêndios para o Algarve há meses. Eduardo Cabrita afirma que o Ministério da Agricultura não tem nenhum plano.

O ministro da Administração Interna diz que não há qualquer plano por aprovar pelo Ministério da Agricultura, ao contrário do noticiado esta terça-feira pelo jornal Público.

“Não está por aprovar nenhum plano de gestão de Monchique relativo à Zona de Intervenção Florestal de Perna da Negra”, frisa o comunicado do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), enviado às redações minutos depois da intervenção de Eduardo Cabrita.

De acordo com o ICFN, a Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio (ASPAFLOBAL) apresentou, de facto, uma candidatura à medida 8.1.3, “Prevenção da Floresta contra Agentes Bióticos e Abióticos” do Programa de Desenvolvimento Rural – PDR 2020 e é esta candidatura “que se encontra em análise”, uma vez que as candidaturas ao PDR 2020 “obedecem a rigorosos requisitos, impostos pela legislação comunitária para a sua aprovação”.

Segundo refere comunicado, tais requisitos não foram cumpridos pela ASPAFLOBAL e, por isso, a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, a entidade que analisa estas candidaturas, pediu alguns esclarecimentos adicionais à associação. Estas questões “não foram respondidos até ao momento” pela associação, argumenta o ICNF.

A polémica surge no dia que foi noticiado que os produtores florestais do Barlavento Algarvio esperam há meses um plano de prevenção e combate aos incêndios, que está parado, à espera de aprovação, no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas. De acordo com a Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio, este projeto seria estruturante para a Zona de Intervenção Florestal (ZIF) da Perna Negra, precisamente o local onde começou o incêndio de Monchique.

Entra hoje em ação o comando nacional

Na conferência de imprensa, transmitida em direto pela SIC Notícias, Eduardo Cabrita anunciou ainda que o comando nacional da Proteção Civil vai entrar em ação. “Decidimos, ao fim destes dias, passar a operação para o comando nacional”, disse. No entanto, o ministro da Administração Interna salientou o trabalho do comandante distrital da Proteção Civil, Vítor Vaz Pinto. “O comandante Vaz Pinto tem feito um trabalho notável, quer ao nível da competência técnica, quer do empenho pessoal”, referiu.

Apesar de confirmar que as temperaturas e as condições climáticas são “adversas” ao combate ao incêndio de Monchique, nomeadamente a humidade e o vento, Eduardo Cabrita salientou e reforçou que “a resposta de todas as entidades do sistema tem sido notável”. O ministro elogiou a coordenação entre as várias entidades, desde bombeiros, forças armadas, autarquias locais e embaixadas, tal como a execução dos princípios do guia “Aldeia Segura, Pessoas Seguras”.

“Portugal registou mais de 7.000 incêndios desde o início do ano, mas a boa notícia é que a generalidade desses incêndios não são notícias”, disse o ministro, elogiando a rápida resposta a cerca de 500 incêndios rurais que deflagraram nos últimos dias. Para Cabrita, “é muito positivo que esta seja a única ocorrência significativa no país”. Tal é possível devido ao “esforço de prevenção e limpeza das florestas”, acrescentou.

Quando questionado sobre a visita que fez a Monchique, juntamente com António Costa, no passado dia 1 de junho, o ministro da Administração Interna salientou que, na altura, frisaram que o Algarve era uma prioridade, tal como o é neste momento. Sobre os cerca de 15 a 20 mil hectares ardidos, acrescentou que a primeira prioridade é agora a vida humana.

Por isso mesmo não considera que seja altura para balanços. “Agora é tempo de combate, mal o incêndio seja extinto iniciaremos esse levantamento da dados”, sublinhou.

17 localidades estão sem eletricidade

Pelo menos 40 quilómetros de linha da EDP ficaram danificados, na sequência do incêndio que lavra em Monchique. De acordo com a empresa do setor energético, há 17 localidades que estão sem abastecimento de energia elétrica, seja porque as linhas ficaram destruídas, seja por questões de segurança determinadas pela Proteção Civil.

A diretora de comunicação da EDP Distribuição, Fernanda Bonifácio, disse à agência Lusa que, apesar de serem 17 as localidades sem eletricidade, o número de pessoas afetadas “não é muito significativo”. Foram colocados 10 geradores em várias localidades, mas, neste momento, só dois estão ligados. Os restantes só estarão a funcionar quando se reunirem as condições de segurança necessárias.

Perante a intensidade das chamas, a EDP Distribuição decidiu prolongar o “estado de alerta” até, pelo menos, amanhã em toda a região do Algarve, tendo as equipas da região mobilizadas.

(Última atualização às 13h54)

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