Economistas apostam numa aceleração do PIB no segundo trimestre, mas longe dos 3% de 2017

A maioria dos economistas espera que a economia registe um crescimento maior de abril a junho face aos três primeiros meses do ano. Previsões variam entre 2,1% e 2,6%.

Os economistas são quase unânimes em apontar para uma aceleração da economia no segundo trimestre, que será conhecida esta terça-feira. As previsões oscilam entre um crescimento homólogo de 2,1%, o que representaria um desempenho idêntico ao do primeiro trimestre, e de 2,6%. Já em cadeia, a expectativa é de uma progressão do produto, face ao trimestre anterior, entre 0,3% e 0,8%.

Nos primeiros três meses do ano Portugal cresceu 0,4%, um desempenho que ficou aquém das expectativas, mas tudo aponta para que, graças às exportações e ao consumo privado, a atividade económica tenha ganho força entre abril e junho. Contudo, o desempenho será sempre inferior aos 3% registados no segundo trimestre de 2017, ano que fechou com o maior crescimento desde 2000 (2,7%).

Previsões de crescimento da economia no segundo trimestre

Fonte: BBVA, BPI, Montepio, Católica, Santander, ISEG, Fórum para a Competitividade, BCP. Valores em %

A nossa previsão é que a economia cresça 0,5% trimestral e 2,3% y/y, no segundo trimestre e 2018, o que representa uma ligeira aceleração face ao primeiro trimestre”, avançou ao ECO a analista do BPI, Teresa Gil Pinheiro. A economista lembra que, nos três primeiros meses do ano, “o crescimento foi negativamente afetado por fatores temporários ou pontuais, relacionados com a redução da atividade de refinação e a exportação de energia (sem o correspondente impacto pelo lado das importações de petróleo), menor número de dias úteis pelo feriado da Páscoa, assim como um clima anormalmente desfavorável, entre outros”.

Ligeiramente mais otimista, o economista-chefe do Montepio aponta para “um crescimento em cadeia de 0,6%, sendo que o intervalo da previsão é de 0,5% e 0,7%”, valores que representam sempre uma aceleração face aos 0,4% registados no primeiro trimestre. Já em termos homólogos, Rui Bernardes Serra aponta para uma evolução de 2,4%, que compara com uma progressão de 2,1% no primeiro trimestre, face aos três primeiros meses de 2017. A razão de ser desta aceleração resulta de um “contributo ligeiramente positivo” das exportações — no trimestre anterior esta rubrica teve um contributo negativo — e do facto de “o consumo privado ter continuado a crescer, mas com maior desaceleração, depois do forte acréscimo observado no primeiro trimestre”, sublinha, ao ECO, Rui Bernardes Serra. “Já o investimento em capital fixo (FBCF) deverá ter crescido a um ritmo apenas ligeiramente inferior ao do trimestre anterior”, acrescenta.

A previsão do Montepio coincide com a do Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica, que também aposta numa progressão de 0,6% em cadeia e de 2,4% em termos homólogos. “Este crescimento trimestral mantém a recuperação da economia portuguesa a um ritmo moderado desde 2013, com algumas oscilações pontuais como foi o caso do primeiro trimestre”, afirma no NECEP na folha trimestral de conjuntura divulgada ainda em julho. Segundo a Católica, o consumo privado deverá manter a sua trajetória de “recuperação moderada”, o investimento terá recuperado a “bom ritmo” no segundo trimestre e as exportações continuado a crescer de “forma saudável”, embora com menor intensidade face ao ano passado.

Os dados publicados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística confirmam esta previsão. As exportações de bens registaram no primeiro semestre um crescimento de 6%, o que compara com uma progressão no período homólogo de 12,2%. E não é apenas o petróleo a justificar estas disparidade, já que “excluindo os Combustíveis e lubrificantes, os acréscimos [das exportações e das importações] foram de 6,4% e 8,0% respetivamente (+10,2% e +11,4% no primeiro semestre de 2017)”, sublinha o INE.

A “dinâmica das exportações, de bens e serviços, após um primeiro trimestre mais fraco”, e um consumo privado a “continuar a expandir de forma moderada” são as razões que levam o economista chefe do Santander a prever também “um crescimento em cadeia de 0,6% e homólogo de 2,5%“, explicou ao ECO, Rui Constantino.

“O mais provável parece ser um ritmo de crescimento [do consumo privado] igual ou ligeiramente inferior ao registado no primeiro trimestre”, com o crescimento da procura interna no segundo trimestre a ficar “próximo do registado no primeiro trimestre (2,5%)”, estima a análise de conjuntura do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), conhecida no final de julho. A instituição, “com base nos dados quantitativos disponíveis”, estima “em 2,6% o crescimento homólogo do PIB no segundo trimestre de 2018” e de 0,8% em relação ao trimestre anterior.

O Fórum para a Competitividade usa também o desempenho das exportações que, de abril e maio, evidenciaram uma clara aceleração, e da procura interna, que revelou com uma tendência “ligeiramente positiva”, para antecipar que Portugal cresça no segundo trimestre entre 2,2% e 2,5% em termos homólogos. “Portugal está a desperdiçar uma conjuntura externa excecional, que já está mesmo a dissipar-se, não aproveitando para convergir com a UE [União Europeia]”, lê-se na nota de conjuntura de julho. A estimativa rápida do Eurostat revela que, no segundo semestre a Zona Euro cresceu, em termos homólogos, 2,1%, o que representa um abrandamento face aos 2,5% registados nos três meses anos. E esta tendência de abrandamento também se verificou no conjunto da União Europeia com um crescimento de 2,2% no segundo trimestre (tinha sido de 2,4% no primeiro). Este desempenho não são boas notícias para Portugal já que os principais parceiros económicos nacionais são europeus.

Este abrandamento europeu justifica algumas cautelas e, por isso, a equipa do BBVA Research aponta para um crescimento homólogo de 2,1%, o mesmo registado nos três primeiros meses do ano e “um aumento de 0,3% no trimestre (vs. 0,4% no primeiro trimestre do ano)”. “As razões por trás dessa moderação no crescimento seriam, por um lado, um enfraquecimento das exportações de serviços (turismo) e um menor crescimento da procura interna (consumo)”, explica a equipa numa nota enviada ao ECO. A atividade turística apresenta sinais de abrandamento em termos de dormidas e hóspedes ainda que até maio, os últimos dados disponíveis — as receitas até tenham aumentado 9%. O regresso de destinos como a Tunísia, a Turquia ou o Egito estão, contudo, a reduzir a procura pelo destino Portugal. Apesar destas ressalvas, a equipa do BBVA Research sublinha “o facto de as exportações de bens parecem resistir bastante, especialmente tendo em conta a fraqueza generalizada observada na UEM durante o primeiro semestre do ano”.

Igualmente cauteloso, José Maria Brandão de Brito, economista chefe do Millennium bcp, citado pelo Expresso, aponta para um crescimento “ao nível do primeiro trimestre”.

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