Lira afunda para novo mínimo. Banco central intervém para travar crise de liquidez

Moeda turca volta a afundar para novos mínimos, um dia depois de o Presidente Erdogan ter anunciado que o país está a enfrentar uma "guerra económica". O banco central já anunciou reforço de liquidez.

A lira turca volta a afundar pelo quarto dia consecutivo, atingindo na sessão desta segunda-feira um novo mínimo, isto depois de o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan ter dito no fim de semana que a Turquia está a enfrentar uma “guerra económica”. Outras moedas de economias emergentes também cedem à pressão e as bolsas europeias abriram pintadas a vermelho.

A divisa turca recuava 11% contra o dólar nos mercados asiáticos, isto antes de o banco central ter anunciado um reforço da liquidez ao sistema bancário do país.

“A fricção entre a Turquia e os EUA está a pressionar a lira e é improvável que vá melhorar nos próximos tempos”, disse Takashi Kudo, especialista da Fujimoti, citado pela Bloomberg. “As preocupações estendem-se às outras instituições financeiras europeias devido à sua exposição à Turquia. Resumindo, as moedas dos países emergentes também estão sob pressão devido a todos estes problemas, acrescentou.

A abertura das bolsas europeias também se deu numa toada negativa. Em Lisboa, o PSI-20 recua 0,73% para 5.588,19 pontos, enquanto as praças de Milão e de Madrid, onde os bancos têm larga exposição ao mercado turco, perdiam 0,7% e 0,2%.

Para travar a crise de liquidez no sistema, o banco central turco vai disponibilizar aos bancos cerca de dez mil milhões de liras (1,3 mil milhões de euros) aos bancos, seis mil milhões de dólares e outros três mil milhões de dólares em liquidez de ouro.

O colapso da lira agravou-se na passada semana depois de o Presidente do EUA, Donald Trump, ter anunciado tarifas sobre a importação de aço e alumínio da Turquia, isto num contexto de desconfiança dos investidores em relação à política de Erdogan que vai aumentar os gastos públicos.

Nesta segunda-feira, a lira caiu para o mínimo de 7,2362 por dólar. Também as moedas da África do Sul, do México e da Indonésia recuam no arranque da semana.

Este fim de semana, Erdogan disse que a crise da moeda tem como objetivo “a rendição da Turquia em todos os domínios, das finanças e à política”, o que vai obrigar o país a procurar “novos mercados e aliados”. O Presidente turco afastou qualquer pedido de ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) perante aquilo a que chamou de “guerra económica” que o país está a enfrentar.

“A queda da lira tem várias faces: é causada não só pela frágil posição externos em termos de défice de conta corrente e reservas inadequadas de moeda, mas também pelo desafiante ambiente político que exacerba as vulnerabilidades da lira”, disse Kerry Craig, do JP Morgan Asset Management.

(Notícia atualizada às 8h34)

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