Custo da nova dívida em mínimos. Portugal está a pagar taxa de juro abaixo de 2%

Portugal está a gastar cada vez menos para se financiar. Com os juros em mínimos, o custo médio da nova dívida emitida este ano baixou pela primeira vez dos 2%. Fixou-se em 1,9%.

Portugal tem uma dívida pública elevada. E gasta milhares de milhões de euros só com os juros associados. Mas o custo tem vindo a cair, a cada nova emissão que vai sendo feita. Entre novas obrigações, bilhetes e certificados, o Estado está, este ano, a suportar uma taxa abaixo da fasquia dos 2%, a mais baixa de sempre.

De acordo com o Boletim Mensal da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), enquanto entre janeiro e julho o custo médio da nova dívida se situava em 2%, entre janeiro e agosto assistiu-se a uma quebra para 1,9%. É a primeira vez que o encargo médio com o novo financiamento fica abaixo deste patamar.

Custo da dívida pública em queda

Esta quebra acontece num período marcado por consecutivas quedas dos juros exigidos pelos investidores de cada vez que o país recorre aos mercados para se financiar. Uma realidade tanto nas obrigações (dívida de longo prazo) como nos bilhetes do Tesouro (curto prazo), em que Portugal continua a contar com taxas negativas.

Foi a 11 de julho que o IGCP realizou o único leilão de longo prazo deste trimestre (período mais calmo nos mercados de dívida, tendo em conta o período de férias). Nessa operação, a 10 e 16 anos, Portugal obteve 950 milhões de euros com juros mais baixos face a emissões comparáveis, beneficiando não só da política monetária do BCE como da classificação das agências de rating numa altura em que o PIB cresce e o défice encolhe.

É o custo das obrigações do Tesouro, pelo seu peso no financiamento da República, que explica a queda do custo médio da nova dívida emitida este ano, mas a ajudar tem estado também os juros cada vez mais baixos pagos pelo Estado nos produtos de poupança destinados aos pequenos investidores.

Os certificados de aforro há muito que oferecem taxas muito reduzidas, em torno de 0,6%, mas os juros dos certificados do Tesouro encolheram para quase metade. Enquanto os Certificados do Tesouro Poupança Mais pagavam, no ano passado, uma taxa média de 2,25% (durante cinco anos), os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento só pagam 1,38% (durante sete anos).

E mesmo as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) pagam agora muito menos. Na última emissão, realizada em julho, o IGCP aumentou o prazo de cinco para sete anos, mas a taxa caiu para apenas 1%. Mesmo assim, conseguiu captar mil milhões de euros, com a procura a chegar aos 1,7 mil milhões.

Custo total encolhe. E vai encolher mais

Enquanto o custo médio da nova dívida pública emitida durante este ano baixa da fasquia dos 2%, o custo total da dívida nacional deverá encolher para 2,8% no final deste ano, de acordo com as previsões que constam da apresentação da agência liderada por Cristina Casalinho aos investidores internacionais.

O custo de todo o endividamento público deverá cair face aos 3% em 2017 sendo que, a confirmar-se, este será o quarto ano consecutivo de quebra no encargo médio com a dívida que, atualmente, ascende a 246,7 mil milhões de euros. A taxa média suportada pelo país poderá assim recuar para o nível mais baixo desde, pelo menos, 2010.

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