O que esperar de Jackson Hole? Olhos postos em Powell

Os principais responsáveis da Fed estão reunidos e os investidores à espera de sinais que os ajudem a situar-se sobre qual será o futuro da política monetária dos EUA. Jerome Powell discursa hoje.

Todos os anos se repete, uma pequena localidade do Estado de Wyoming centra as atenções de todo o mundo. Lá, reúnem-se os principais responsáveis da Reserva Federal (Fed na sigla inglesa) e os investidores aguardam por novos sinais que os ajudem a situar-se sobre qual será o futuro da política monetária dos EUA. Estamos a falar do encontro anual de Jackson Hole.

Depois de conhecidas as minutas da última reunião da Fed, da qual saiu reforçada a perspetiva de que as taxas de juro nos EUA vão subir mais duas vezes este ano, esta sexta-feira os olhos estão postos em Jerome Powell, o presidente da Fed, que irá discursar e explicar essa intenção.

Powell, que iniciou a função no ano passado, nomeado por Donald Trump para substituir Janet Yellen no cargo, terá de discursar perante o presidente americano sobre a perspetiva de subir, ainda este ano, as taxas de juro mais duas vezes.

E Trump já mostrou que apoia uma política monetária totalmente contrária à posição da Fed. Ainda no início desta semana, o líder dos Estados Unidos teceu várias críticas às subir os juros, enquanto outros países, como os da Zona Euro, beneficiam de políticas monetárias propícias ao crescimento da economia.

O encontro deste ano, cujo tema é a mudança da estrutura de mercado e as suas implicações na política monetária do país, tem também em discussão, e não com menos protagonismo, as recentes tensões entre os EUA e a China. De acordo com a Reuters, a aplicação de taxas por Donald Trump é, inclusive, uma das principais preocupações dos membros da Fed, pelo impacto que têm em vários setores da economia.

“Todos os participantes apontaram para as recentes discórdias comerciais e medidas propostas como uma fonte significativa de incerteza e riscos”, referem as últimas minutas da Fed. No entanto, para Andrew Hollenhorst, economista de Citibank, “os responsáveis da Fed não verão esta situação como um impedimento para continuar a subir os juros”.

Afinal, qual será a mensagem principal de Powell?

Ultimamente, os investidores têm tido muito com que se distrair. Seja voltados para a crise da lira turca, que, este mês, atingiu mínimos, seja distraídos com a guerra comercial entre os EUA e a China, ou mesmo a conhecer as críticas que Trump fez ao aumento de juros de Powell.

Mas, para o presidente da Fed, certamente o que mais interessará na hora de discursar será salientar que a economia dos EUA continua, apesar de tudo isto, num bom momento. A estimativa é que o crescimento do produto interno bruto (PIB) cresça 4,3% no terceiro trimestre, com a inflação a evoluir como o previsto e que o desemprego se situe abaixo dos 4%.

É um circulo virtuoso que Powell procurará destacar, utilizando-o para justificar a manutenção da sua visão sobre o nível de juro atual dos EUA — e aquele que defende para este ano e o próximo –, apesar de Trump ter afirmado que irá continuar a criticar a atuação da Fed enquanto esta não se aproximar da perspetiva defendida pelo presidente norte-americana.

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