Lagarde: “Muitos bancos, especialmente na Europa, continuam fracos”

  • ECO
  • 5 Setembro 2018

A diretora do FMI considera que o problema da falta de ética permanece e apela a que seja feita uma reforma dentro das instituições, para além do reforço da regulação que já foi feito.

As posições de liquidez dos bancos melhoram, a regulação está mais apertada o endividamento é menor e os créditos do subprime que deram origem à crise, na sua maior parte, já não existem. Foram feitos progressos desde a crise financeira de 2008, que teve o ponto de partida no colapso do Lehman Brothers, mas não chega. Ainda há muitos bancos que permanecem frágeis, a capitalização das instituições financeiras ainda não é suficiente e os bancos “too big to fail” continuam a ser um problema. Estas ideias foram defendidas por Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), num artigo publicado esta terça-feira no blogue da instituição.

Tudo [o que foi feito] é bom, mas não bom o suficiente“, resume Lagarde no artigo publicado por ocasião do aniversário de dez anos da queda do Lehman Brothers, que declarou falência a 15 de setembro de 2008.

E continua: “Muitos bancos, especialmente na Europa, continuam fracos. A capitalização da banca deveria ir mais longe. A ideia de ‘too big to fail‘ permanece um problema, numa altura em que os bancos crescem em dimensão e em complexidade. Ainda não houve progresso suficiente no que toca à resolução de bancos falidos”, escreve.

A diretora do FMI alerta ainda para a evolução das atividades no setor do chamado “shadow banking“, termo que designa o sistema bancário paralelo e que está assente num sistema financeiro informal, não regulamentado, que serve como fonte de crédito para quem não tem acesso a financiamento regular. A agravar este cenário está ainda o facto de a inovação financeira trazer mais desafios para a estabilidade do setor tradicional.

E, talvez o mais preocupante, os “decisores políticos enfrentam pressão significativa da indústria para aliviar as regulações pós-crise“.

Os decisores políticos enfrentam pressão significativa da indústria para aliviar as regulações pós-crise.

Christine Lagarde

Diretora do FMI

Para além de todos estes fatores, há um outro que Lagarde considera não ter mudado nos últimos dez anos: a ética. “O setor financeiro continua a colocar o lucro imediato à frente de prudência de longo alcance, o curto prazo à frente da sustentabilidade. Basta pensar na quantidade de escândalos financeiros que tiveram lugar após o Lehman”, aponta, sublinhando que “as falhas éticas têm consequências económicas claras”.

Lagarde apela, assim, a que seja feita uma reforma dentro das instituições, para complementar o reforço da regulação e supervisão.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Lagarde: “Muitos bancos, especialmente na Europa, continuam fracos”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião