Jerónimo pede um PCP mais forte para combater um PS encostado à direita

Jerónimo de Sousa no discurso de encerrameto da festa do Avante elencou os dossiers que vão ocupar o partido nos próximos tempos. Não esqueceu a contagem integral do tempo dos professores.

Num ano que se avizinha de “particular importância”, com a realização de eleições legislativas, europeia e para o Parlamento Regional da Madeira, Jerónimo de Sousa, no discurso de encerramento da festa do Avante, o secretário-geral do PCP frisou a importância de um “PCP mais forte”, porque tem uma intervenção que se distingue e marca a diferença”. Num discurso dominado pelo distanciamento face ao PS, que governa à direita e se socorre do PSD e dos CDS para as grandes alterações estruturais, Jerónimo de Sousa elencou os pontos em que o partido vai focar a sua atenção nos tempos mais próximos.

“Inscrevemos como objetivo da nossa ação mais imediata a revogação das normas da legislação laboral mais gravosas, o aumento geral dos salários, incluindo na Administração Pública e do salário mínimo para 650 euros em janeiro de 2019“, disse Jerónimo de Sousa num discurso transmitido pela RTP3.

Apesar de na entrevista que deu esta semana à RTP, o secretário geral do PCP , ter dito que a polémica dos professores não vai condicionar o sentido de voto do PCP no Orçamento do Estado para 2019, Jerónimo de Sousa disse que o partido se vai bater pela “concretização da progressão na carreira com contagem integral do tempo de serviços e para os professores, militares forças e serviços de segurança e outra carreiras específicas da Administração Pública”. Isto depois de as negociações entre o Governo e os sindicatos dos professores terem falhado e o Executivo ter anunciado que vai avançar unilateralmente com uma proposta de contagem de apenas dois anos, nove meses e 18 dias de trabalho.

Jerónimo de Sousa reiterou o empenho do partido na “reposição do IVA na eletricidade e no gás nos 6%”, mas também a defesa de uma “política fiscal que tributa o capital mobiliário de lucros e dividendos desagravando os rendimentos do trabalho” e um “aumento da tributação do património imobiliário de elevado valor e a especulação imobiliária”. Uma medida que já foi também proposta pelo Bloco de Esquerda, um partido com quem o PCP tem formado a geringonça nos últimos três anos, mas que Jerónimo de Sousa não mencionou durante todo o discurso na Atalaia. Em termos fiscais, o secretário-geral do PCP defende ainda a eliminação do Pagamento Especial por Conta a 1 de janeiro para os microempresários.

Entre o caderno de tarefas do PCP está ainda a luta pelo “reforço da proteção de apoios como o aumento extraordinário de pensões e reformas, assegurando um aumento mínimos de dez euros em janeiro próximo e o direito à reforma sem penalização para as longa carreiras contributivas”, precisou o secretário-geral do PCP. Jerónimo de Sousa defendeu ainda um “aumento do investimento público e do financiamento dos serviços públicos e em funções sociais do Estado, em particular na Saúde, Educação, transportes públicos e Cultura”, renegociação das Parcerias Público Privadas e apoio à agricultura familiar.

Num ataque cerrado e estruturado ao PS, Jerónimo de Sousa frisou que no “que se avançou foi com a resistência do PS” e que o partido só não avançou mais naquilo que o PCP classifica de “política de direita” porque “não tinha votos para isso”. E Jerónimo ressalva que “os recentes acordos com o PSD [em termos de fundos comunitários e de descentralização] confirmam isso mesmo”.

Para dar resposta aos problemas nacionais é preciso dar mais força ao PCP, porque dar mais força ao PS é dar mais espaço à politica de direita e andar para trás na reposição da política de direita.

Jerónimo de Sousa

Secretário-geral do PCP

Jerónimo de Sousa frisou que “a economia cresceu porque o povo tem mais condições de consumo” e que “para dar resposta aos problemas nacionais é preciso dar mais força ao PCP, porque dar mais força ao PS é dar mais espaço à política de direita e andar para trás na reposição da política de direita. Sempre que o PS foi Governo juntou-se ao PSD e CDS em coisas estruturais”.

“Respondendo aos que mentirosamente, de forma não inocente, continuam a repetir essa ideia de uma maioria parlamentar, o que estes três anos também têm mostrado é que, em questões decisivas e estruturantes, PSD e CDS nunca faltaram à chama do PS”, disse ainda Jerónimo.

O discurso foi ainda pautado por ataques à Europa, ao euro e à dívida

(Notícia atualizada)

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