Centeno saúda fim do resgate grego. PCP fala em “embuste”

  • Lusa
  • 21 Agosto 2018

Para os dirigentes do PCP, os programas de assistência financeira internacionais são "pactos de agressão" contra trabalhadores e povo.

Dirigentes do Partido Comunista Português (PCP) voltaram esta terça-feira a classificar os programas de assistência financeira internacionais como “pactos de agressão” contra trabalhadores e povo, lamentando aquilo que consideram um “embuste”, ao comentar o fim do resgate da Grécia.

Na passada segunda-feira, o ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, saudou o fim das intervenções formais no país helénico, apontando que, ao fim de oito anos, a Grécia “reconquistou o controlo pelo qual lutou”, mas advertiu que tal também acarreta “responsabilidade” acrescida.

“É infundada a tentativa de apresentação do chamado fim do resgate à Grécia como uma decisão favorável aos trabalhadores e ao povo grego”, lê-se em comunicado do PCP, que condena os “verdadeiros pactos de agressão contra Estados e povos”, meros “instrumentos da estratégia de empobrecimento, liquidação de direitos, favorecimento do poder monopolista e de ataque à soberania nacional”.

Para os comunistas, “a propalada saída dos países, seja apontada como limpa ou não, é um embuste como a experiência” de Portugal comprova, bem como “as limitações à soberania que decorrem da vigilância a que se mantém submetido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE) e, sobretudo, a submissão às imposições orçamentais que impedem o desenvolvimento do país e a resposta aos problemas nacionais”.

Segundo Centeno, “a Grécia enfrenta agora uma nova realidade” na qual “não há mais ações prévias” (as medidas de ajustamento que Atenas tinha que honrar perante os credores para receber os empréstimos), “mas também não há mais desembolsos”.

A Grécia, o país europeu mais atingido pela crise económica e financeira que surgiu em 2008, foi o primeiro e último a pedir assistência financeira – e o único “reincidente” -, e a conclusão do seu terceiro programa significa o fim do ciclo de resgates a países da zona euro, iniciado em 2010, e que abrangeu também Portugal (2011-2014), Irlanda, Espanha e Chipre.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Centeno saúda fim do resgate grego. PCP fala em “embuste”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião