Google, Amazon, Facebook e Apple são “a grande ameaça” ao negócio bancário, diz Faria de Oliveira

  • Lusa
  • 25 Setembro 2018

Faria de Oliveira considera que o nível de informação nas mãos de grandes plataformas digitais como a Google, a Amazon, o facebook e a Apple representa uma ameaça ao negócio bancário.

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando Faria de Oliveira, alertou esta terça-feira para a ameaça das grandes plataformas digitais, como a Google, Amazon, Facebook e Apple ao negócio bancário.

“A grande ameaça ao setor bancário surge não das startups fintech – onde o caminho tem sido, acima de tudo, de cooperação – mas dos operadores das grandes plataformas digitais, os designados GAFA (Google, Amazon, Facebook, Apple), todos eles entidades não europeias”, disse.

O responsável falava na abertura da conferência “Supervisão comportamental bancária – Novos desafios dez anos depois da crise financeira”, promovida pelo Banco de Portugal, que decorre hoje em Lisboa.

“Estas entidades possuem muita informação sobre os clientes, o que lhes permite oferecer e produtos tailormade [feitos à medida], de uma forma que, no limite, exclui os restantes operadores, incluindo os prestadores de serviços financeiros incumbente”, avisou.

Faria de Oliveira abordou, por isso, a importância de todos os operadores obedecerem a um quadro legal e regulatório, designadamente em termos de proteção do consumidor.

“Os benefícios da digitalização só podem, pois, ser maximizados ao mesmo tempo que a estabilidade financeira e a integridade do sistema é mantida”, disse.

Assim, para o presidente da APB, há novos e importantes desafios tanto para as instituições como legisladores, reguladores e supervisores, “nomeadamente os que derivam da transformação digital em curso e do crescimento do sistema financeiro não igualmente regulado”, sendo exemplo disso o crowdfunding ou a criptomoeda.

“A inovação tecnológica está a facilitar o aparecimento de novos atores no mercado de serviços financeiros e as instituições financeiras incumbentes, quer por via das novas necessidades dos clientes e das oportunidades que a tecnologia oferece, quer pela pressão concorrencial dos novos players estão a mudar e a adaptar os seus modelos de negócio”, disse.

Estas mudanças contribuem, de acordo com Faria de Oliveira, para aumentar a eficiência do setor, mas, ao mesmo tempo, provocam uma alteração profunda da natureza dos riscos a que o sistema financeiro está sujeito.

A rápida disseminação do fenómeno fintech e dos novos riscos obriga, por isso, a mudanças no modelo de regulação.

“O setor bancário, ele próprio uma fintech, está na linha da frente dessa inovação, que acolhe com grande entusiasmo e interesse”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Google, Amazon, Facebook e Apple são “a grande ameaça” ao negócio bancário, diz Faria de Oliveira

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião