Países mais rápidos a atacar problemas da banca sofreram menos com a crise financeira

Passam dez anos desde a falência do Lehman Brothers. FMI diz que economias que foram mais lestas a resolver os problemas dos bancos sofreram menos com a crise financeira de 2008.

Os países que foram mais rápidos a identificar e a resolver os problemas dos seus bancos sofreram menos com a crise financeira desencadeada nos EUA após a falência do Lehman Brothers, em 2008, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Medidas orçamentais e quasi orçamentais extraordinárias para ajudar o setor financeiro após a crise parecem ter ajudado a diminuir perdas no produto a médio prazo”, indica o FMI num dos capítulos analíticos do World Economic Outlook divulgados esta quarta-feira. “Subsequentemente, as economias que se movimentaram mais rapidamente para avaliar a saúde dos seus sistemas bancários e recapitalizar os bancos parecem ter sofrido perdas no produto mais reduzidas“, acrescentam os especialistas da instituição.

Em Portugal, na última década, desapareceram bancos tão importantes como o BES (cujo legado deixado no Novo Banco obriga ainda hoje o Fundo de Resolução a injetar dinheiro na instituição) e o Banif (comprado pelo Santander Totta), sendo que BCP e BPI tiveram de pedir ajuda do Estado através dos chamados CoCos, obrigações de capital contingente, com profundas alterações nas suas estruturas acionistas que se seguiram após as devoluções das ajudas estatais. Também a Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve de ser recapitalizada com o Estado a injetar 3.944 milhões de euros, numa operação que ficou concluída apenas no ano passado e teve impacto no défice.

Sem se referir ao caso português, o FMI diz que os países que foram engolidos pela crise dos soberanos acabaram por ter menor margem orçamental para fazer face às dificuldades e por isso sentiram muito mais os efeitos da crise na economia.

Ao contrário, “países com posições orçamentais mais fortes registaram perdas menores, sugerindo que um maior espaço de manobra da política orçamental poderá ter ajudado na defesa contra danos”, concluiu o Fundo.

Passam dez anos desde a crise financeira que começou no mercado do subprime americano e poucos países parecem ter passado ao lado. “O seu impacto foi visto em todo o mundo deste as maquiladoras no México à reestruturação das cajas em Espanha e prolongou o desemprego entre os trabalhadores migrados no Delta do Rio das Pérolas, na China”, referem os especialistas do FMI, alertando para as consequências da crise no crescimento potencial a longo prazo que já começam a dar sinais por via do seu impacto na “migração, na fertilidade e nos inputs do trabalho”.

Outro reflexo da crise identificado pelo FMI: a menor vontade dos países em relação à integração económica e à globalização, sendo “o corolário destes desenvolvimentos o crescimento dos apelos ao protecionismo e ao populismo”.

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