Agroop quer voar para campos maiores e prepara internacionalização à boleia dos fundos europeus

Empresa portuguesa que cria soluções tecnológicas para economizar recursos, maximizar a produção agrícola e prevenir riscos como pragas ou doenças prepara expansão para outros mercados internacionais.

Batatas com textura e tamanho mais uniformes, pele com melhor aspeto e qualidade, poupança de água e de energia de 32% na produção e aumento da produção limpa (sem refugo) de 12,6%. Estes são os resultados da aplicação num terreno da Louricoop, uma cooperativa agrícola da Lourinha das soluções tecnológicas da Agroop, uma empresa portuguesa inovadora na área da agricultura.

Economizar recursos, maximizar a produção agrícola e prevenir riscos como pragas ou doenças são os objetivos da solução integrada de software (uma aplicação chamada Agroop Cooperation) e hardware (o multissensor Stoock) permite a agricultores. Uma solução que tem vindo a ser desenvolvida e apurada desde 2014, com o apoio de fundos comunitários. Primeiro foram 50 mil euros do Horizonte 2020 (Fase 1) de Carlos Moedas que financiaram precisamente este scale up study, como contou ao ECO, Bruno Fonseca, em dezembro de 2017, quando a Comissão Europeia escolheu a Agroop como uma das empresas a serem apoiadas por este instrumento europeu.

Com o sucesso do projeto é tempo de pensar noutros voos. Mas isso também exige mais dinheiro e os fundos comunitários voltam a ser a solução para ajudar os sensores da Agroop a chegarem aos campos agrícolas de outros países. “Estamos, no momento, a preparar candidatura à fase 2 do SME Instrument e candidatámo-nos ao projeto IoF 2020 (também do Horizonte 2020) e ao programa Incentivos à Qualificação e Internacionalização das PME do Portugal 2020”, avançou ao ECO o presidente executivo da empresa.

 

O multi-sensor Stoock fornece monitorização em tempo real de temperatura, condições meteorológicas e humidade,” além de radiação solar.

Ou seja, o SME Instrument na Fase 2, que permite que cada projeto possa receber até 2,5 milhões de euros (cinco milhões para projetos no domínio da saúde) para financiar várias etapas de desenvolvimento dos projetos: a demonstração, o ensaio, a fase-piloto, a fase de expansão e a miniaturização, para além de desenvolver um plano de negócios sólido. Além disso, as empresas podem ainda ter acesso a 12 dias de formação empresarial. Esta candidatura “é fundamentalmente alocado para desenvolvimento e investigação e, portanto, muito do foco será colocado na melhoria do produto, nomeadamente na melhoria da componente de IoT (hardware), melhoria de algoritmos, desenvolvimento de funcionalidades complementares como imagem satélite e ainda aplicação de machine learning“, explicou Bruno Fonseca.

Já a candidatura ao Internet of Food & Farm 2020 (IoF2020), um projeto do Horizonte 2020 que explora o potencial das tecnologias da internet das coisas (IoT) para a indústria europeia de agricultura e alimentação, “está direcionada para o desenvolvimento de um case study que possa ajudar-nos a calcular os impactos concretos que a nossa solução terá numa exploração agrícola, nomeadamente, calculando o retorno do investimento na fileira da Pera Rocha”, avança o responsável. Recorde-se que as candidaturas ao Horizonte 2020 são feitas em pé de igualdade por todas as empresas europeias, sem quotas por país ou qualquer outro tipo de contingentes.

Agora que a tração do produto, a escalabilidade e as propostas de valor já foram validadas, é tempo de preparar a sistematização do processo de internacionalização e escalar a Agroop para outros mercados de maior dimensão”, sublinha Bruno Fonseca, CEO da Agroop.

Finalmente, os apoios que a Agroop procura em termos de Qualificação e Internacionalização no âmbito do Portugal 2020, têm por meta permitir à empresa “avançar com processos de proteção de propriedade industrial e intelectual, certificações internacionais”, explica o CEO da Agroop. “E ainda suportar boa parte do nosso scale up plan, nomeadamente no que diz respeito a missões de business development e participação em eventos de divulgação”, acrescenta.

“Agora que a tração do produto, a escalabilidade e as propostas de valor já foram validadas, é tempo de preparar a sistematização do processo de internacionalização e escalar a Agroop para outros mercados de maior dimensão”, sublinha Bruno Fonseca. “Todos os programas enquadram-se nesse objetivo macro. O SME Instrument numa perspetiva técnica, o IoF como forma de sustentar o retorno de investimento — que por sua será capitalizado como argumento comercial — e, por fim, os programas Qualificação e Internacionalização para sustentar especificidades inerentes ao processo de expansão internacional”, justifica.

No currículo a empresa soma ainda mais uma vitória. No início de outubro foi distinguida pela StartUs Insights, uma organização dedicada à análise de start-ups e negócios, escolheu-a como uma das startups mais “disruptivas” no setor agrícola, de entre uma lista de 950 potenciais candidatas.

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