“Os países mais endividados têm de atingir um equilíbrio orçamental ou até um superavit”

  • ECO
  • 10 Outubro 2018

Vítor Gaspar considera que Portugal tem feito progressos no que toca à redução das suas dívidas públicas, mas que os países mais endividados têm de continuar a procurar mitigar as vulnerabilidades.

Vítor Gaspar, ex-ministro da Finanças, considera que Portugal tem registado progressos importantes ao nível da redução das suas dívidas públicas. No entanto, em entrevista ao Jornal de Negócios (acesso pago), reforça que os países mais endividados “têm de continuar a procurar atingir um equilíbrio orçamental de médio prazo, ou até um superavit, se for possível”.

“Vários países, incluindo Portugal, têm registado progressos importantes na redução das suas dívidas públicas. Na área do euro, por exemplo, o rácio da dívida pública bruta em percentagem do PIB, que em 2013 superava os 90%, caiu mais de cinco pontos percentuais nos últimos cinco anos. As nossas projeções neste Fiscal Monitor apontam para uma queda deste rácio em mais de 10 pontos percentuais nos próximos cinco anos, de forma a estar abaixo dos 75% do PIB em 2023″, disse.

No entanto, os esforços podem ainda não ser suficientes. “Os países mais endividados ainda necessitam de reconstituir a sua margem de manobra orçamental e mitigar as suas vulnerabilidades”, justifica o ex-ministro das Finanças.

Vítor Gaspar concorda com o Fundo Monetário Internacional (FMI), quando alertou que é preciso “reparar o telhado enquanto faz sol”. Christine Lagarde disse que “a chuva forte ainda não chegou, mas já começaram os chuviscos” e o ex-ministro não podia estar mais de acordo. “Alguns dos riscos já começaram a materializar-se. Há sinais, por exemplo, de estabilização do crescimento global — de forma menos sincronizada — com menos países a beneficiar da expansão”, disse.

“Todos estes fatores tornam mais urgente que os países mais endividados reconstituam a sua margem de manobra orçamental, de forma a aumentar a sua resiliência às contrações do ciclo económico e crises financeiras futuras“, alertou o economista português.

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