Eleitoralismo? Moody’s só vê “prudência” do Governo

A Moody's subiu o rating em vésperas de apresentação do Orçamento. Tirou Portugal de "lixo" numa altura em que o país ruma às eleições. Mas a agência não vê eleitoralismos nas contas públicas.

Em vésperas de apresentação do Orçamento do Estado, e numa altura que muito se discute sobre se a proposta que será entregue pelo Governo na Assembleia da República é ou não eleitoralista, a Moody’s diz que vê pressões para que António Costa e Mário Centeno abram os cordões à bolsa. No entanto, descarta que primeiro-ministro e ministro das Finanças estejam a agitar bandeiras rumo às eleições do próximo ano. Vê, antes, “prudência” orçamental.

“Desde que foi atribuída uma perspetiva ‘positiva’ [ao rating de Portugal, em setembro de 2017], os esforços de consolidação orçamental têm sido mantidos, com o saldo primário [excluindo os gastos com os juros da dívida] a continuar a apresentar um excedente no final de 2017 pelo terceiro ano consecutivo”, nota a Moody’s, na nota em que reviu em alta a classificação da dívida portuguesa para “Baa3”, retirando-a, assim, de “lixo”.

"Os resultados positivos em termos orçamentais até agosto apontam no sentido da continuação de uma gestão prudente das contas públicas, apesar das pressões para aumento dos gastos antes das eleições que vão ter lugar no próximo ano.”

Moody's

Mas esses esforços não se esbateram mais recentemente, apesar de Portugal estar a um ano das legislativas. “Os resultados positivos em termos orçamentais até agosto apontam no sentido da continuação de uma gestão prudente das contas públicas, apesar das pressões para aumento dos gastos antes das eleições que vão ter lugar no próximo ano”, diz a Moody’s. “Esta perspetiva é suportada pelo Conselho de Finanças Públicas que diz que o Governo irá apresentar um défice em 2018 melhor do que o inscrito no Programa de Estabilidade”.

Mesmo com a pressão para “aumento dos salários da Função Pública e para a recuperação dos significativos cortes no investimento público“, que podem travar a redução da dívida, a agência acredita que o Governo irá prosseguir os esforços de consolidação orçamental. “O compromisso de apresentar um défice abaixo dos 3% é firme”, diz. Neste sentido, “as eleições que aí vêm representam um risco limitado de reversão significativa das políticas, o que ajudará à manutenção da tendência de redução gradual da dívida”.

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