Sem o Novo Banco, no próximo ano já não havia défice, diz Mário Centeno

  • ECO
  • 17 Outubro 2018

A recapitalização do Novo Banco tornou possível a meta de 0,2% de défice para o próximo ano, disse o ministro, acrescentando que ter um défice zero "não tem significado".

A meta de défice de 0,2% para o próximo ano inclui uma “dimensão de recapitalização do Novo Banco na ordem dos 400 milhões de euros“, disse Mário Centeno, em entrevista ao Jornal de Negócios (acesso pago), sublinhando a importância banco. O ministro das Finanças reconheceu ainda que ter um saldo orçamental nulo “não tem significado”, embora reconheça que, na altura da campanha eleitoral, terá de existir uma discussão política sobre o Estado vir a ter excedentes.

Mário Centeno respondeu sem rodeios quando questionado se a meta de défice 0,2% já inclui algum valor de recapitalização do Novo Banco. “Inclui uma dimensão de recapitalização do Novo Banco na ordem dos 400 milhões de euros”, respondeu, acrescentando que, sem contar com este efeito do banco, “esse défice não existe”.

Admitindo que não considera que o efeito de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) — que foi retirado do cálculo do défice –, seja semelhante ao efeito do Novo Banco, o ministro das Finanças afirmou que “a solução encontrada foi difícil mas tem uma virtude muito grande: tem limites e previsibilidade muito claros sobre os impactos financeiros. E isso é muito importante para a estabilidade”.

“O défice zero não é um íman”

Estou plenamente confiante de que, em 2019, vamos mostrar que cumprimos os objetivos. É evidente que isto não é uma máquina ou um relógio e não precisamos de cumprir 0,6% em todos os anos porque seria castigar o país de maneira inadequada”, revelou Mário Centeno, em entrevista ao Negócios.

E, quando questionado se gostava de terminar com um défice zero no próximo ano, respondeu que isso “não tem significado”. “O significado que tem é a trajetória que definimos. No tal documento de 2015 não tínhamos lá refletido esta enorme redução de juros e o saldo primário que lá está é muito próximo se não igual ao de hoje. E, portanto, o zero não é um íman“.

“Até porque o país tem de saber viver em torno daquele valor e em 2020 esta trajetória, se for tão bem-sucedida como tem sido até aqui, pode levar o país para o lado de lá da linha”, continuou, relembrando que “no contexto da União Europeia, e em particular da zona Euro, Portugal tem o quinto maior défice da área do euro“.

Imposto sobre o imobiliário deverá aumentar preços

Outro dos temas incluídos na entrevista com o ministro das Finanças foi o imobiliário, que tem sido alvo de várias críticas. “Se o nosso objetivo é controlar uma subida de preços num mercado que está fortemente condicionado pela disponibilidade de casas, como temos uma restrição muito forte do lado da oferta, se colocarmos um imposto sobre esse mercado o mais provável é que os preços subam e não que desçam“, disse.

“O mais provável é que quem acabasse por pagar essa taxa não fosse o especulador, mas sim quem compra ao especulador, porque isto é o que acontece em economia”, rematou.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Sem o Novo Banco, no próximo ano já não havia défice, diz Mário Centeno

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião