Bruxelas incendeia juros da dívida italiana. Contagia periferia

Comissão Europeia enviou uma carta a Roma com um selo de chumbo ao orçamento, adensando a crise orçamental em Itália. Escalada dos juros italianos contagia periferia.

Com Bruxelas e Roma às turras por causa do orçamento italiano, os juros da dívida pública da Itália voltam a estar sob pressão nos mercados internacionais, atingindo máximos de mais de quatro anos. A taxa a 10 anos italiana está prestes a superar a fasquia psicológica dos 4% e o contágio está a propagar-se aos periféricos como Portugal e Espanha.

Apenas os juros alemães resistiam à nova vaga vendedora nos mercados obrigacionistas, reforçando o estatuto de ativo seguro em tempos de incerteza. Mas o mesmo não podem dizer Portugal nem Espanha, que até agora têm revelado alguma estabilidade face à crise orçamental italiana. A taxa de juro da dívida 10 anos portuguesa soma esta manhã cinco pontos base para 2,093%. Do outro lado da fronteira, as yields a 10 anos sobem sete pontos para 1,8%.

Mas Itália é mesmo a fonte de toda a instabilidade. Os juros da dívida estão a avançar para 3,75%, o valor mais elevado desde fevereiro de 2014, e aproximam-se a passos largos da barreira psicológica dos 4%. A bolsa de Milão perde mais de 1%, enquanto o Stoxx 600 recua 1,06%. Em Lisboa, o PSI-20 cai 0,59%.

Fonte: Reuters

Tal como era esperado, a Comissão Europeia não vai deixar passar o orçamento apresentado pelo governo do país, tendo considerado que se trata de uma proposta “sem precedentes” no que toca à violação das regras orçamentais comunitárias. As autoridades europeias enviaram uma carta a Roma com um aviso formal que deverá levar a Bruxelas a rejeitar a proposta até final do mês.

“A carta foi mais pronunciada do que o habitual. Descreve que o orçamento como um “desvio óbvio” em relação aos anteriores compromissos, numa escala sem precedentes”, refere o analista Jim Reid do Deutsche Bank numa nota citada pela Reuters.

“Deveremos ver as coisas a escalarem na próxima semana tendo em conta estas tensões, uma reunião do Banco Centra Europeu que deverá ter pouca simpatia com Itália e também ações das agências de rating“, acrescentou.

A Standard & Poor’s vai rever a notação da dívida italiana na sexta-feira da próxima semana, enquanto a Moody’s fará a sua avaliação da situação no final do mês.

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