Galeria Uffizi testa algoritmo para combater filas de espera

Quando o sistema for definitivamente implementado, cada visitante vai receber à chegada uma espécie de senha com um horário, com margem de erro de apenas 15 minutos.

O turismo de massas tem transformado a maneira como se visita o mundo. Quem viaja já sabe que tem à sua espera, além da invasão de paus de selfie, filas intermináveis nos museus. Em Florença, a Galeria Uffizi, a mais visitada de Itália — 3,4 milhões por ano –, é quase tão famosa pelas obras de Sandro Botticelli e Leonardo da Vinci como pelas filas.

Agora, o museu está a desenvolver um sistema baseado em Big Data que pretende evitar a longa espera e gerar um “turismo sustentável”, avança o El País (acesso livre, conteúdo em espanhol).

Desenvolvido por uma equipa da Universidade de L’Aquila, o sistema promete redistribuir os visitantes, aumentar a qualidade da visita e melhorar a visibilidade da cidade internacionalmente. Além disso, quer também melhorar a segurança, uma vez que “uma fila é, lamentavelmente, um objetivo terrorista claríssimo”, refere Erike Schmidt, o primeiro diretor estrangeiro da galeria.

Quando assumiu o cargo, Schmidt encontrou um museu com filas de espera — que duram, em média, duas horas e meia — e com salas totalmente cheias de gente, onde as obras de arte quase passavam despercebidas. A primeira medida que adotou para acabar com esse problema foi a implementação de um sistema variável de preços, que não podia ser o mesmo em época alta e época baixa.

Posteriormente, Schmidt procedeu à reordenação da coleção de arte, fazendo algumas reformas de maneira a regular o fluxo de visitantes que, muitas vezes, enchem completamente as salas onde estão A Primavera, de Botticelli, ou a Vénus, de Urbino.

Mas ainda faltava um algoritmo que ajudasse a fornecer algumas informações, como, por exemplo, o tempo médio de visita, a capacidade das salas de exposição, a época do ano e a comparação histórica e social. Testado no passado domingo, o truque matemático baseia a sua previsão de espera na metodologia, no impacto de determinadas exposições temporárias e no perfil dos visitantes.

Esta é, ainda, uma versão experimental, posta à prova com os mais de sete mil visitantes do passado domingo, mas assim que o sistema esteja a funcionar definitivamente, segundo Schmidt, não haverá mais filas de espera. Cada visitante vai receber, à chegada ao museu, uma espécie de senha com um horário, com margem de erro de apenas 15 minutos. Essa “marcação” permite que o visitante aproveite o tempo até à hora da senha, momento no qual deverá entrar no centro de arte.

Só este fim de semana o Palácio Pitti aumentou cerca de 22% o número de visitas. “A gestão de filas é uma ciência exata, baseada nas estatísticas, na estrutura de gestão, na informática… Mas também é uma ciência social, que não tem a ver com moléculas, mas sim com grupos de pessoas que se comportam de maneira diferente, em função da envolvente”, explicou o diretor. “Conseguimos trabalhar para ter um modelo estatístico preditivo muito preciso, mas haverá casos nos quais ainda não pensámos”, acrescentou.

“Pensa-se que o turismo de massas é superficial, mas não é assim”

Para que não se voltem a formar longas filas de espera, a precisão horária é fundamental. Para isso, a Galeria Uffizi analisou o comportamento dos visitantes, tanto dentro como fora do edifício, e observou as estratégias que estes adotam quando iniciam a visita e a maneira como se agrupam.

"A grande maioria [dos visitantes] passa entre duas a três horas [na galeria] e isso é um dado muito reconfortante.”

Erike Schmidt

Todos os dias passam pela galeria italiana grupos que fazem a visita em 40 minutos ou menos: entram, tiram uma fotografia e saem. No entanto, a contrastar, também há quem passe mais de quatro horas no museu, apesar de este grupo representar apenas 3% dos visitantes. “A grande maioria passa entre duas a três horas e isso é um dado muito reconfortante. Normalmente, pensa-se que o turismo de massas é superficial, mas não é assim”, refere Schmidt.

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