Governo pede para gastar 886 milhões com BPN e Banif

  • ECO
  • 29 Outubro 2018

No próximo ano, o Governo planeia gastar quase 886 milhões de euros com os veículos que restaram dos falidos BPN e Banif, menos 13% do que despendeu este ano.

O Governo vai pedir ao Parlamento uma autorização de despesa de 885,8 milhões de euros para gastar com o Banif e com o BPN, avança o Diário de Notícias (acesso pago). No quadro do Orçamento do Estado para 2019, o Ministério das Finanças quer despender 337,6 milhões de euros com três veículos desse primeiro banco e 548,2 milhões de euros com as três sociedades que ficaram do segundo.

Ainda que o valor seja significativo — cerca de 0,5% do PIB e, a título de exemplo, superior ao implicado no descongelamento das carreiras dos funcionários públicos — representa um recuo de 13% (isto é 131,1 milhões de euros) face ao montante gasto este ano com estes veículos financeiros.

O maior desses veículos é a Parvalorem (fundo que gere os restos da carteira de empréstimos do antigo BPN) que, em 2019, irá absorver 409 milhões de euros. Segue-se a Oitante (que ficou com os ativos do Banif que o Santander não teve interesse em comprar) com uma despesa de 322 milhões de euros e a Parups (fundo que contém imóveis, obras de arte, moedas de coletivas e outros ativos do antigo BPN) com um gasto de 117 milhões de euros.

Em 2018, o Governo, através do Ministério das Finanças, pediu para gastar 1.017 milhões de euros com os veículos financeiros, mas ainda não há informação relativa à sua execução. Essa informação surgirá na Conta Geral do Estado de 2018.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Governo pede para gastar 886 milhões com BPN e Banif

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião