Tomás Correia já entregou lista. É candidato à Associação Mutualista Montepio

Tomás Correia já entregou a lista com candidatura a um quarto mandato à frente da Associação Mutualista Montepio Geral, apurou o ECO. Corrida para a liderança da instituição será feita a três.

António Tomás Correia é candidato à liderança da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), tendo já procedido à entrega a sua lista para concorrer às eleições que vão ter lugar em dezembro, apurou o ECO junto da mesa da Assembleia Geral, colocando-se assim um ponto final à incerteza em redor da sua candidatura. Corrida será feita a três, com Tomás Correia a merecer a oposição de Fernando Ribeiro Mendes e de António Godinho.

Atualmente presidente do conselho de administração da AMMG, Tomás Correia concorre para um quarto mandato à frente da maior mutualista do país, com mais de 620 mil associados. Da sua equipa que quer levar para a administração da instituição para o triénio 2019-2021 estão apontados os nomes da deputada socialista e antiga secretária de Estado da Reabilitação entre 2005-2011, Idália Serrão, de Virgílio Lima, de Carlos Beato (ambos fazem parte do atual conselho de administração da mutualista) e ainda de Luís Almeida (ex-administrador da Caixa Económica Montepio Geral, com José Félix Morgado).

A notícia da candidatura de Tomás Correia foi avançada na sexta-feira pelo Jornal Económico (acesso pago). O ECO confirmou que a lista já foi entregue junto da mesa da assembleia geral da AMMG, o órgão responsável pelo processo eleitoral que está em curso.

Entretanto, a assessoria de imprensa da candidatura de Tomás Correia adiantou em comunicado que apresentação da Lista A está agendada para o próximo dia 6 de novembro, pelas 17h30, no Teatro Capitólio (Parque Mayer). Informou ainda que a comissão de honra integra nomes como Manuela Ramalho Eanes, Jorge Coelho, Edmundo Martinho e Rui Nabeiro.

Para os outros órgãos sociais, a Lista A apresenta a antiga ministra da Saúde Maria de Belém como a candidata ao conselho geral da AMMG, numa lista onde se inscrevem ainda Luís Patrão (antigo presidente do Turismo de Portugal). Luís de Matos Correia (deputado do PSD à Assembleia da República) e ainda Maria das Dores Meira (presidente da Câmara Municipal de Setúbal, pelo PCP). Já o padre Vítor Melícias será o cabeça de lista para a mesa da Assembleia Geral, a qual já lidera de resto. Para o conselho fiscal, a Lista A conta com o nome de Ivo Pinho, antigo presidente do IFADAP (Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pesca).

Os últimos meses foram de alguma incerteza e indefinição em relação à possibilidade de Tomás Correia, que tem processos a correr no Banco de Portugal e no Ministério Público, voltar a candidatar-se ao conselho de administração da AMMG, com o próprio a adensar as dúvidas sobre o tema. Mas na última entrevista à Lusa, apesar de ter mantido o tabu em relação à sua candidatura, o atual presidente da AMMG dizia que não haveria “quem, no país e no Montepio, esteja em melhores condições” do que o próprio para enfrentar desafios como os novos estatutos da associação e o plano de transição, mas reconheceu que “o novo ciclo é muito mais do que isso”.

O prazo para a entrega de listas termina esta quarta-feira. As eleições terão lugar no dia 7 de dezembro, num momento particularmente importante na vida da AMMG. No próximo ano vai ter de adaptar os estatutos ao novo Código das Associações Mutualistas que entrou em vigor em setembro. As novas regras para as mutualistas trouxeram ainda novidades do ponto de vista da supervisão financeira. As maiores instituições vão passar a ser supervisionadas pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) e, conforme o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, a Associação Mutualista Montepio Geral vai passar a sujeitar-se ao novo regime de supervisão, com implicações no que diz respeito à idoneidade dos gestores das mutualistas de grandes dimensões.

Esta situação está a criar algumas dúvidas do lado das listas concorrentes, nomeadamente junto de Fernando Ribeiro Mendes, administrador dissidente da equipa da Tomás Correia que também já apresentou a sua candidatura, e que considera que “Tomás Correia, por força dos processos abertos no regulador da banca e no domínio judicial, caso viesse a ser eleito, teria de sair no dia seguinte por força do novo Código Mutualista, uma vez que não se pode registar previamente como é agora exigência”. Ribeiro Mendes, que formalizou a sua candidatura na passada segunda-feira, conta na sua lista “União e Confiança” com nomes como João Proença e João Costa Pinto, antigo vice-presidente do Banco de Portugal.

Tal como o ECO avançou em primeira mão, a corrida pela liderança da AMMG será feita a três. Depois de falhado um acordo com Ribeiro Mendes com vista à criação de uma solução única alternativa contra Tomás Correia, as listas derrotadas avançaram para a uma própria candidatura, sob a liderança de António Godinho e com o lema “Juntos pelo Montepio. Recuperar a Confiança”. A formalização desta candidatura, que conta ainda com Alípio Dias para o conselho geral e Eugénio Rosa para o conselho fiscal, foi feita esta terça-feira.

“É uma lista de independentes, de pessoas que há muitos anos lutam pela renovação e pelo futuro da AMMG. Pessoas de bem e com experiência e capacidade de gestão, que apenas querem ajudar e servir a AMMG”, declarou António Godinho.

Em 2015, Tomás Correia venceu as eleições com quase 60% dos votos.

(Notícia atualizada às 14h15 com comunicado da Lista A, presidida por Tomás Correia)

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