Comissão Europeia revê em baixa crescimento da Zona Euro

Nas Previsões de Outono, a Comissão Europeia estima que a economia da Zona Euro e do conjunto da UE deverá crescer a um ritmo mais lento, pressionada por incertezas e riscos externos e internos.

A Comissão Europeia revê em baixa o crescimento da economia da Zona Euro para os próximos anos, estimando que suba apenas 2,1% este ano, 1,9% no próximo e 1,7% em 2020, anunciou a instituição nas Previsões Económicas de Outono, publicadas esta quinta-feira. O aumento da incerteza internacional, as tensões comerciais e preços do petróleo mais elevados são alguns dos riscos que justificam a revisão em baixa.

O mesmo ritmo de crescimento será também esperado para o conjunto da União Europeia (UE). Apesar desta desaceleração, Bruxelas estima que todos os Estados-membros continuem a crescer, “embora a um ritmo mais lento”, e que a Europa seja capaz de “sustentar o crescimento económico acima do potencial”.

A economia da Zona Euro vai reverter a tendência dos últimos dez anos e começar a recuar, pelo menos até 2020. O mesmo cenário é esperado para o conjunto da UE, que deverá crescer 2,2% este ano, 2% no próximo ano e 1,9% em 2020. “A situação global excecionalmente favorável do ano passado ajudou a apoiar a forte atividade económica e o investimento na UE e na Zona Euro. Apesar de um ambiente mais incerto, prevê-se que todos os Estados-membros continuem a crescer, embora a um ritmo mais lento, devido à força do consumo interno e do investimento“, refere o comunicado. De acordo com a Comissão, os motores do crescimento vão cada vez mais ser internos, com o consumo privado a beneficiar do crescimento salarial e de medidas de cariz orçamental em alguns Estados membros — Itália por exemplo apresentou um Orçamento para 2019 expansionista. Por outro lado, pela primeira vez desde 2007, o investimento deverá aumentar em todos os Estados membros em 2019, incluindo Portugal, que deverá arrancar com projetos, apoiados por fundos estruturais que estavam previstos para 2018

“Todas as economia da UE deverão crescer este ano e no próximo, o que deverá trazer mais emprego. No entanto, as incertezas e os riscos, tanto externos como internos, estão a aumentar e começar a afetar o ritmo da atividade económica, tornando-se necessário estar atento e trabalhar mais para reforçar a resiliência das nossas economias”, diz Valdis Dombrovskis, vice-presidente, citado no documento.

Já Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos, afirma que “a economia europeia está a reagir bem, com o crescimento a abrandar gradualmente. Estimamos que esse padrão continue nos próximos dois anos, uma vez que o desemprego continua a cair para níveis nunca antes vistos desde a crise. A dívida pública na Zona Euro deverá continua a diminuir”.

Défice inferior a 1% do PIB

Relativamente às contas públicas, a Comissão Europeia prevê-se que o défice orçamental na Zona Euro continue a diminuir face ao PIB este ano, devido à redução das despesas com juros. Mas esta tendência deverá parar em 2019, pela primeira vez em dez anos. O défice deverá aumentar para 0,6% do PIB este ano, subir para 0,8% no próximo ano e voltar a diminuir para 0,7% do PIB em 2020, refere o comunicado. Já no conjunto da UE, deverá aumentar para 0,6% do PIB este ano, 0,8% no próximo e diminuir duas décimas em 2020.

Bruxelas estima ainda que os rácios de dívida em relação ao PIB continuem a cair na Zona Euro e em quase todos os Estados-membros, “apoiados por excedentes primários decrescentes da dívida e pelo crescimento contínuo”. Este ano deverão descer para 86,9%, no próximo ano deverão recuar 84,9% e, em 2020, para 82,8%. No conjunto da UE, deverão cair para 80,6% do PIB este ano, 78,6% no próximo e para 76,7% em 2020.

Desemprego em queda, embora num ritmo mais lento

“Salvo grandes choques, a Europa deverá ser capaz de sustentar o crescimento económico acima do potencial, a criação robusta de emprego e a queda do desemprego. No entanto, esse cenário está sujeito a um número crescente de riscos descendentes interligados”, acrescenta a Comissão.

Bruxelas assinala que “as condições do mercado de trabalho continuaram a melhorar no primeiro semestre do ano”, com o crescimento do emprego a permanecer estável, “mesmo com o arrefecimento económico”. Para o futuro, a criação de emprego “deverá continuar a beneficiar de um crescimento contínuo e da implementarão de reformas estruturais em alguns Estados-membros”.

Relativamente ao desemprego, este “deverá continuar a cair, mas a um ritmo mais lento do que no ano passado”. Isto porque, explica a Comissão Europeia, o crescimento do emprego é “atenuado pelo aumento da escassez de mão-de-obra e pelo crescimento económico mais lento”. Na Zona Euro, a taxa de desemprego deverá recuar 8,4% este ano, 7,9% em 2019 e 7,5% em 2020. No conjunto da UE, prevê-se que caia 7,4% este ano, 7% no próximo e 6,6% em 2020. Estes valores representam a “menor taxa de desemprego registada desde o início da série mensal em janeiro de 2000“.

Inflação impulsionada pelos preços do petróleo

A Comissão Europeia estima que a inflação continue “moderada”. Na Zona Euro, esta deverá atingir 1,8% este ano e no próximo e diminuir 1,6% em 2020. A justificar a subida observada este ano estará a aumento dos preços do petróleo, esperando-se que continuem a ter efeitos positivos no primeiro trimestre do próximo ano.

“Embora a inflação subjacente — que exclui a energia e os preços dos alimentos não processados –, tenha sido relativamente moderado até este ano, espera-se que se reafirme como o principal motor da inflação em 2020, à medida que os salários aumentam” com menos mão de obra disponível, refere a instituição.

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