Crise nas FAANG. Estes cinco fatores explicam a queda multimilionária das tecnológicas em bolsa

A tempestade perfeita formou-se entre as tecnológicas. Após meses a brilharem como as cotadas com maiores ganhos, as gigantes do setor entraram em "bear market".

As ações das cinco gigantes tecnológicas que compõem o grupo das FAANG (acrónimo correspondente aos nomes das cinco maiores tecnológicas do mundo) entraram esta semana em bear market (com uma desvalorização de mais de 20% desde os últimos máximos registados). Com os títulos há seis semanas em queda livre, quebrou-se o momento glorioso do setor graças a uma tempestade perfeita que juntou guerra comercial com fatores das próprias empresas.

A última cotada a sofrer a força do urso, e também a que registou uma queda mais expressiva, foi a Apple, que desvalorizou mais de 20% desde os máximos históricos atingidos em outubro e perdeu tanto 220 mil milhões de dólares em capitalização de mercado como o estatuto de estar avaliada em um bilião de dólares. Em conjunto, o Facebook, a Apple, a Amazon, a Netflix e a empresa-mãe da Google, Alphabet, já perderam um bilião de dólares em capitalização de mercado desde os respetivos máximos nas últimas 52 semanas.

Conheça, em cinco pontos, os fatores que explicam a queda das FAANG:

Guerra comercial. Tiro de Trump ripostou

Donald Trump considera que o país está a ser prejudicado pelos acordos comerciais internacionais em vigor e lançou uma investida especialmente direcionada à China. O presidente norte-americano exige de Pequim uma redução do défice comercial de 200 mil milhões de dólares, tendo aumentado as medidas protecionistas.

Após muitas dúvidas sobre o risco global, os efeitos da guerra comercial têm sido concentrados no gigante asiático. Apesar disso, os tiros ripostaram contra as tecnológicas norte-americanas já que a China é simultaneamente um dos mercados mais importantes para o setor e um mercado produtor de componentes para o produto final.

Revisões das perspetivas. Vêm aí menos receitas

Amazon reviu em baixa as suas estimativas de resultados para os próximos meses, antecipando agora receitas entre os 66,5 e os 72,5 mil milhões de dólares no quarto trimestre do ano. Sendo esta a época do ano mais importante para a retalhista e ficando o intervalo abaixo do consenso de Wall Street (73,79 mil milhões de dólares), a revisão assustou os investidores e deu um tombo de 10% às ações, no dia seguinte. A Netflix até cumpriu a expetativa de receitas, anunciando mesmo um aumento no número de subscritores, mas os títulos não resistiram ao efeito contágio e acumulam um tombo superior a 35% desde os máximos.

Fraco apetite dos consumidores. Lá vai a Apple

Também a Apple reviu em baixa as perspetivas para os próximos meses, na apresentação de resultados relativos ao terceiro trimestre. A quebra nas vendas já está a ser antecipada pelos investidores, especialmente depois de o Wall Street Journal ter dado conta que a empresa cortou as encomendas de produção dos novos iPhones — apresentados em setembro — devido à fraca procura.

O Goldman Sachs cortou o preço-alvo das ações pela segunda vez este ano, para 182 dólares, não dando praticamente margem de progressão ás ações mesmo depois do trambolhão das últimas semanas.

Regulação mais apertada

O Facebook tem sido penalizado pelos investidores desde a Cambridge Analytica, um escândalo que levantou uma questão ainda maior: a da necessidade de aumentar regulação.

A Comissão Europeia e as autoridades norte-americanas estão a trabalhar num reforço da regulamentação para o setor tecnológico — tanto no que diz respeito à proteção de dados como à tributação — e ainda não é claro o impacto que terá para a empresa de Mark Zuckerberg, bem como para a Google. As ações do Facebook já caíram quase 40% desde o pico de julho, enquanto as da Alphabet perderam 20%.

Fim dos estímulos nos EUA

As políticas norte-americanas estão a ter um forte impacto nas ações. Por um lado, as reformas fiscais de Donald Trump impulsionam as contas das empresas, de forma geral, e consequentemente o seu desempenho em bolsa. Por outro lado, a política monetária da Reserva Federal — em movimento de subida das taxas de juro de referência — está a reduzir o interesse dos investidores em ações norte-americanas.

Apesar de o efeito ainda não se estar a sentir de forma muito expressiva (Wall Street mantém-se na linha de água no acumulado do ano, em comparação com quedas nas principais praças europeias), a redução do apetite dos investidores não está a poupar as empresas do setor tecnológico.

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