Guerra comercial. BCE diz que ações europeias vão ser as mais castigadas

O Banco Central Europeu considera que os mercados acionistas europeus vão ressentir-se mais do que os dos EUA caso a guerra comercial se prolongue. No primeiro ano, antecipa uma queda de 15%.

As ações europeias são sofrer mais do que as norte-americanas caso a guerra comercial se prolongue. O aviso chega do Banco Central Europeu (BCE) que num estudo divulgado nesta terça-feira antecipa que só no primeiro ano, os mercados acionistas do Velho Europeu possam sofrer uma queda de 15%.

Em causa estão a série de medidas protecionistas impostas pelos EUA, com tarifas comerciais que visam especialmente a China, mas que também atingem diferentes regiões do globo, incluindo a Europa. As tensões comerciais daí resultantes podem levar a uma forte desaceleração do comércio mundial, com os efeitos a fazerem-se sentir também nos mercados acionistas.

“Os preços das ações dos EUA cairiam em cerca de 10% e os spreads das obrigações das empresas norte-americanas aumentariam até 100 pontos base no primeiro ano”, avisa o BCE, descrevendo esse cenário caso as tarifas se fixem em 25% sobre importações.

“Na Zona Euro, os preços das ações cairiam 15% e os spreads das obrigações empresariais aumentariam 150 pontos base no primeiro ano”, acrescentou o BCE num capítulo do Relatório de Estabilidade Financeira, esta terça-feira divulgado.

O mesmo estudo refere que desde o anúncio das medidas protecionistas até ao momento atual, as ações europeias recuaram tanto quanto as pares norte-americanas. As quebras são na ordem dos 7% dos dois lados do Atlântico desde que as medidas protecionistas foram anunciadas no início do ano, sendo que no caso das empresas mais expostas a essa realidade as perdas ascendem a 12%, diz a entidade liderada por Mario Draghi.

“A reação simétrica entre os EUA e a Zona Euro sugere que os mercados veem as subidas nas tarifas como uma situação de lose-lose [todos perdem] para todas as partes envolvidas“, diz o estudo. “A razão para tal provavelmente reside na retaliação que é antecipada e nos efeitos de uma segunda ronda [de sanções], que são interpretas na sua maioria como uma situação de lose-lose para a economia global”, acrescenta o BCE.

Contudo, o BCE acredita que os mercados emergentes serão os que mais se ressentirão com a guerra comercial, prevendo que as perdas das ações possam ascender a 20%. No caso da dívida, prevê um agravamento de 400 pontos base no prémio de risco.

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