Chineses querem Bison Bank a crescer a três dígitos. Ex-Banif BI quer lucros em 2020

Antigo banco de investimento do Banif tem segunda vida com mãos chinesas. Chama-se agora Bison Bank, quer crescer a três dígitos e lucros dentro de dois anos com forte aposta na gestão de fortunas.

Em chinês, “危机” quer dizer “crise” e os dois carateres que compõem a palavra têm significados bem diferentes: o primeiro significa “risco” e o segundo significa “oportunidade”. E é assim que os chineses da Bison Capital olham para o mercado português, após a aquisição do antigo banco de investimento do Banif (Banif BI), agora designado Bison Bank. Querem o banco português focado na área de gestão de fortunas e de banca de investimento e com receitas crescer a três dígitos no próximo ano. Lucros só em 2020.

O Banif foi uma das vítimas da crise financeira em Portugal nos últimos anos, tendo sido alvo de uma medida de resolução por decisão do Governo e do Banco de Portugal em dezembro de 2014. Uma parte do banco fundado por Horácio Roque foi vendida ao Santander Totta por 150 milhões. Outra parte transitou para a Oitante, incluindo o banco de investimento que foi comprado pela Bison Capital em junho deste ano.

Agora, o Bison Bank dá os primeiros passos da sua nova vida na antiga sede do Caixa BI, na número 33 da Rua Barato Salgueiro, no coração financeiro da capital. O “renovado” banco foi apenas lançado esta segunda-feira e a equipa de meia centena de trabalhadores ainda está incompleta, com Pedro Cardoso ainda à espera da autorização do Banco de Portugal para começar a exercer funções de CEO — o cargo de chairman pertence a Lijun Yang. Quer servir de ponte financeira entre a Ásia e a Europa e vice-versa.

Com o exercício do ano ainda por fechar, as contas do Bison Bank deverão manter-se no vermelho em 2018. Serão, ainda assim, melhores dos que os prejuízos de 42 milhões registados há um ano, com uma boa parte do resultado negativo a dever-se a itens não recorrentes (ou seja, só serão registados este ano).

Por outro lado, a instituição espera vir a registar um crescimento dos rendimentos na casa dos três dígitos, isto após o antigo Banif BI ter registado um produto bancário de 1,7 milhões de euros no ano passado.

Para isto, vai focar a sua atividade em duas áreas principais: gestão de fortunas e banca de investimento. É por aqui que pretendem distinguir-se da concorrência, como o Haitong Bank, outro banco de investimento detido por um grupo chinês.

Por exemplo, no segmento de wealth management, o Bison Bank quer fornecer um conjunto de serviços financeiros a clientes chineses que queiram investir em Portugal, incluindo gestão de carteiras, acesso ao mercado de capitais e ao mercado imobiliário português e banca tradicional. Pretende ainda assegurar serviços aos clientes portugueses ou de países lusófonos que queiram investir no mercado de capitais chinês, aproveitando a experiência financeira da casa-mãe naquela geografia.

Em relação à banca de investimento, aposta sobretudo no segmento do middle market, com foco em operações entre 50 milhões e 100 milhões de euros.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Chineses querem Bison Bank a crescer a três dígitos. Ex-Banif BI quer lucros em 2020

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião