António Ramalho: “Pela primeira vez na história do Novo Banco a margem subiu”

“Maus resultados líquidos, boas novas operacionais”. É esta a síntese que o presidente do Novo Banco faz dos resultados dos primeiros nove meses do ano.

O Novo Banco teve prejuízos de 419,6 milhões de euros até setembro, um valor em linha com os 419,2 milhões registados no período homólogo do ano anterior.

Porquê novamente prejuízos? Numa conversa com o ECO, António Ramalho justificou estes números com o reconhecimento de imparidades: “Os resultados foram iguais aos do ano passado”. Os prejuízos “têm a ver com a limpeza do legado e com a aceleração do programa de reestruturação. E isso tem custos”.

O CEO diz que o banco está a aproveitar o bom momento da economia para acelerar o plano de reestruturação e dá como exemplo a recente venda de uma carteira de imóveis, em que previam “vender 350 milhões e vendemos 700 milhões”. Com estas operações, consegue “limpar” o balanço, mas a outra face da moeda é o reconhecimento de imparidades que pesam na conta dos resultados.

Se o bottom line é negativo, a parte operacional já está a dar a volta. A instituição registou um crescimento de 5,2% da margem financeira e de 3,9% do produto bancário comercial.

António Ramalho, ao ECO, refere que é “pela primeira vez na história que os resultados operacionais começam a subir em todos os agregados”, dando como exemplo o aumento de 3,6 mil milhões de euros na rubrica dos depósitos no espaço de um ano.

A margem financeira e o produto comercial bancário subiram pela primeira na história do banco

António Ramalho

“A margem financeira e o produto comercial bancário subiram pela primeira na história do banco”, afirma Ramalho que sublinha ainda o facto de os custos operacionais estarem a descer (7,8%), “o que permitiu um crescimento do resultado operacional core de 41,5%”.

Em resumo: “Maus resultados líquidos, boas novas operacionais”. É assim que António Ramalho olha para contas do banco que nasceu em 2014 da resolução do antigo BES.

E qual é a explicação para a melhoria nos indicadores operacionais? “É um bom banco, está a operar, a funcionar e beneficia da economia” que está a crescer. “Por isso é que estamos a acelerar o projeto de reestruturação, nomeadamente a venda de imóveis e NPL”, explica o presidente do Novo Banco.

Estas vendas de imóveis e NPL [crédito malparado] geram imparidades, que acabam por provocar uma erosão nos rácios de capital. Mas o banco tem contratado com o Estado um mecanismo de capital contingente, que lhe garante a injeção de capital adicional quando os rácios de solvabilidade descem abaixo um determinado nível. Isto se a erosão dos rácios for provocada pelas imparidades resultantes da alienação de uma carteira de ativos que a Lone Star negociou previamente com o Governo.

 

Este ano, este mecanismo de capital contingente (financiado com fundos públicos e pela restante banca) injetou 792 milhões no Novo Banco. No relatório e contas semestral, a instituição fez um cálculo e estimou em 726 milhões de euros as necessidades para 2019. Mas no Orçamento do Estado para 2019, o Governo inscreveu uma verba de apenas 400 milhões.

Confrontado com esta disparidade de valores, António Ramalho explica que “a chamada de capital depende dos rácios e das perdas”. O que foi feito no final do primeiro semestre “foi um cálculo semestral”, e o próximo só será feito no final deste ano. Mas Ramalho não deixa pistas para se perceber se a estimativa de 726 milhões de euros poderá vir a sofrer alterações.

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