Economia e preços das casas ajudaram a reduzir malparado, mas é preciso continuar

  • Leonor Mateus Ferreira
  • 5 Dezembro 2018

Apesar de em queda, o peso dos créditos em incumprimento continua a penalizar a banca, segundo o Banco de Portugal. Tal como o FMI, alerta para a forte exposição ao imobiliário.

O crédito malparado diminuiu no primeiro semestre do ano, graças ao aumento da solvabilidade dos bancos portugueses, crescimento económico e evolução dos preços do imobiliário. O Relatório de Estabilidade Financeira de dezembro do Banco de Portugal, divulgado esta quarta-feira, aponta para uma quebra de 3,6 pontos percentuais no peso dos non-performing loans (NPL) para 11,7%, em junho face ao período homólogo.

“Desde 2016, observam-se progressos significativos na redução do stock de NPL e no aumento da sua cobertura por imparidades“, explica o relatório, referindo que o rácio de cobertura por imparidade aumentou 7,1 pontos percentuais para 52,9%, face há um ano. “O aumento da solvabilidade dos principais bancos, a melhoria da atividade económica e a evolução dos preços do imobiliário têm criado um contexto favorável à redução dos ativos não produtivos“.

O stock global de crédito também sofreu uma redução com a substituição das fontes de financiamento por parte das empresas. A dívida obtida por estrangeiros diminuiu, enquanto os empréstimos concedidos pela banca em Portugal e a capitalização das empresas aumentou.

“Adicionalmente, continua a observar-se um diferencial positivo no crescimento do crédito bancário interno concedido a empresas exportadoras e empresas com melhor qualidade creditícia, em particular nos setores do comércio, alojamento e restauração e na indústria transformadora e extrativa, face às empresas de pior risco”, sublinhou o Banco de Portugal.

Forte exposição ao imobiliário mantém-se

O regulador alerta, no entanto, que ainda há fatores de vulnerabilidade no sistema financeiro português. Refere que a banca continua a ter de superar “desafios significativos”, associados ao ambiente de baixas taxas de juro de curto prazo na Zona Euro e à necessidade de prosseguir com a redução dos ativos não produtivos (em particular de NPL).

Aponta ainda como desafios para os bancos o investimento expectável em infraestruturas tecnológicas, medidas para fazer face à potencial concorrência de empresas especializadas (fintech) e a redução de custos operacionais, “sem pôr em causa uma alocação adequada de recursos às funções de controlo, emitir instrumentos de dívida elegíveis para fundos próprios regulamentares, com vista ao cumprimento dos requisitos de MREL”.

Outro fator de vulnerabilidade continua a ser a elevada concentração do sistema bancário português em determinadas classes de ativos, alerta ainda o regulador. O aviso surge depois de também o Fundo Monetário Internacional ter mostrado, na sexta-feira passada, preocupações com o impacto da exposição ao imobiliário na qualidade de crédito da banca.

“No final do primeiro semestre de 2018, os bancos portugueses continuaram a concentrar uma parte significativa das suas exposições em ativos imobiliários (38,9% do ativo total, 1,5 pontos percentuais abaixo do valor do final de 2016). Esta exposição assume sobretudo uma natureza indireta, em particular através das garantias imobiliárias associadas ao crédito à habitação (aproximadamente 28% do ativo total)”, acrescentou o BdP.

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