“Portugal é muito bom a gastar dinheiro”, diz a comissária europeia dos fundos comunitários

"Portugal foi o primeiro país que visitei porque foi o único que usou o dinheiro todo um ano antes do deadline". "Espero que continuem a gastar bem o dinheiro", disse Corina Cretu.

O mandato de Corina Cretu, que está no seu último ano, vai estar para sempre ligado a Portugal. Quem o diz é a própria. Portugal foi o primeiro país que visitou depois de tomar posse como comissária europeia da Política Regional. A razão? Porque o país foi o único que utilizou a total dotação dos fundos ao seu dispor um ano antes do prazo. “Portugal é muito bom a gastar dinheiro”, disse a comissária, arrancando uma gargalhada geral de uma plateia repleta que esta sexta-feira esteve reunida para assistir à conclusão do exercício de reprogramação do Portugal 2020.

Portugal foi o primeiro país que visitei porque foi o único que usou o dinheiro todo um ano antes do deadline. “Espero que continuem a gastar bem o dinheiro”, disse a responsável, que não demonstrou qualquer sombra de preocupação já que “Portugal não tem quaisquer atrasos”. “Pode ser que volte a gastar o dinheiro todo um ano antes”, acrescentou bem-disposta Corina Cretu. Em causa está um pacote com cerca de 25 mil milhões de euros.

A razão de despreocupação da comissária, apesar de a 30 de setembro o nível de execução do Portugal 2020 ser inferior ao do QREN no ano comparável, prende-se com o facto de os programas Compete (empresa) e Capital Humano (formação) liderarem o top ten europeu da execução do Feder e do Fundo Social Europeu, como sublinhou o primeiro-ministro, António Costa, na sua intervenção na mesma intervenção. Aliás, como lembrou o ministro do Planeamento, Pedro Marques, desde 2016 que Portugal lidera o ranking da União Europeia em termos de execução dos fundos comunitários, quando a comparação é feita entre países com envelopes financeiros superiores a cinco mil milhões de euros. Uma liderança que aliás já se verificava em 2014 e 2015, ou seja, desde o início do atual quadro comunitário de apoio, que arrancou na legislatura passada.

Na sua quinta visita a Portugal, Corina Cretu não deixou de recordar como ficou impressionada com a tragédia que se abateu o ano passado sobre Portugal, na sequência dos fogos florestais. A responsável lembrou mesmo que fico “muito sensibilizada” quando esteve em Pedrógão Grande e um inglês lhe contou que estava a pensar mudar-se na sequência dos fogos, mas acabou por não o fazer graças ao apoio dos fundos. “A política de Coesão está no terreno a ajudar as pessoas“, frisou a comissária.

António Costa aproveitou a deixa para lembrar como a Política de Coesão “tem dado boas provas de como contribui para o desenvolvimento dos países europeus”. “É a política que traz a política da União Europeia de Bruxelas até cada um de nós: no saneamento, na reabilitação ou nas empresas que criam mais e melhor emprego”, afirmou o primeiro-ministro. “A UE, no dia-a-dia das pessoas, tem a ver sobretudo com a Política de Coesão. Espero que continue a ser um motor de progresso partilhado em toda a UE”, concluiu deixando uma crítica implícita ao corte de 7% que está previsto na Política de Coesão no âmbito das próximas perspetivas financeiras (2021-2027).

Mas o primeiro-ministro também não se esqueceu de mencionar que o segundo pilar da Política Agrícola Comum “é fundamental”. Um pilar cuja dotação a Comissão se prepara para cortar em 15%, apesar de manter o nível dos apoios diretos aos agricultores.

Corina Cretu incitou António Costa a apresentar no Conselho Europeu de dezembro que enfatize as transformações económicas que o país atravessou, e que deve continuar a ser “ambicioso nos objetivos e nos projetos que podem transformar a economia”. “Portugal tem um histórico positivo na apresentação de projetos de elevada qualidade. E com pouco dinheiro consegue desenvolver iniciativas que têm muito impacto”, acrescentou a responsável. A comissária fez questão de elogiar o trabalho dos autarcas e à sua capacidade administrativa.

“Por vezes, em Bruxelas temos dinheiro à espera de bons projetos”, concluiu.

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