“Ambrósio, o A8 está pronto?” Está um luxo

É daqueles automóveis em que se quer ser conduzido. Mas é demasiado entusiasmante para ficar apenas pelo banco de trás. Ao volante sente-se a imponência. É um gigante seleto, com um motor à altura.

Apetecia-me tomar um expresso, mas não um qualquer. Um cimbalino, acompanhado de uma rabanada daquelas que só o Majestic tem. Que vontade… “Ambrósio, o A8 está pronto? Então, vamos!” Não é já ali, mas não importa. As centenas de quilómetros que separam a capital da cidade Invicta nem se sentem naquelas poltronas em pele do novo topo de gama da famosa marca das argolas.

“Faça favor de se sentar…”, diz-me o chauffeur. “Obrigado”, agradeço enquanto me fecha a porta. Mas, não fechou bem. Foi com pouca força. Mas como por magia, o Audi trata de garantir que está tudo a postos para seguir viagem. Bem sentado, com espaço que chega e sobra para as pernas, essencial para não chegar ao destino completamente moído, arrancamos.

Suave, suave, suave… É assim o A8. E luxuoso. Muito! Em vez da estrada, olho para o ecrã de grandes dimensões colocado mesmo à minha frente. Um autêntico tablet que faz praticamente tudo. Desde controlar o que o Ambrósio faz com o pé direito lá à frente (permite ver a velocidade a que o automóvel circula), até navegar na internet ou recorrer aos elementos multimédia conectados ao sistema da Audi. Mas também posso ir a ver TV. Sim, tem TDT.

Aborrecimento a bordo? Zero. O sol na nuca é que está forte demais, mas isso resolve-se com apenas um toque num botão que levanta a cortina no vidro traseiro (também as há nos vidros laterais). E talvez seja melhor descer um pouco mais a temperatura do ar condicionado. Como? Há mais um ecrã no braço que separa os dois bancos traseiros.

Há mais um mini tablet touch que ajusta a climatização, mas agrega muito mais funções. Entre elas estão os diversos ajustes do banco. De uma posição direita até outra quase deitada é num instante. Parece que estamos naquelas suites da primeira classe de uma companhia aérea de referência. E até há massagens. Mais intensa ou menos, há todo um menu de massagens para desfrutar. Assim houvesse mais tempo antes de chegar.

Como previsto, a viagem longa torna-se em curta a bordo deste A8. Mais demorado é mesmo encontrar onde estacionar esta berlina com 5,17 metros de comprimento, embora as câmaras que mostram uma imagem 3D do Audi deem uma grande ajuda para um parqueamento perfeito. Agora é tempo do tal cimbalino.

Expresso tomado, desejo de uma rabanada na baixa do Porto cumprido, é hora de dar descanso ao Ambrósio. O chauffeur imaginário de quem apenas experimenta as sensações deste topo de gama fica. A chave troca de mãos, o lugar do condutor também. Da poltrona de trás, passamos para a da frente. O luxo é o mesmo. E ecrãs também não faltam. São três, dois no centro, um por detrás do volante.

Botão Start e o motor volta a acordar. É um 3.0 a gasóleo (com 286 cv), mas mal se ouve no interior. Ao mesmo tempo que o Audi desperta, assiste-se ao bailado do sistema de ventilação. A madeira polida desliza suavemente até se começar a sentir um fresquinho polvilhado com um aroma delicioso. É o perfume que vem juntamente com o A8. Um luxo, é certo. Mas é simpático. No final de contas estamos a falar de um modelo que, de base, custa 120 mil euros.

Caixa em Drive e, suavemente, o A8 começa a mover-se. Imponente, a berlina não passa despercebida nas ruas portuenses. Roda cabeças, com muitos transeuntes a tentarem ver quem vai lá dentro. Parece, como ouvimos, “carro de embaixador”. Apetece passear sobre quatro rodas, passando pela Torre dos Clérigos, a Casa da Música, a Avenida da Boavista até à Foz. Mas é tarde. É preciso voltar.

É um misto de tristeza por ter de voltar, mas de alegria por poder esticar as pernas aos cavalos que estão debaixo do capot. Depois do Confort na viagem de ida, é melhor passar ao Dynamic para dar um toque mais desportivo a um automóvel que não tem pretensões de o ser. Suspensão rebaixada, e vamos nós de regresso. Com a Ponte do Freixo para trás, é ver o A8 ganhar velocidade, mas sempre com alguma finesse.

Só depois de incitados os cavalos disparam. E se disparam. O pequeno motor elétrico que a Audi introduziu nestes grandes motores ajuda a fazer disparar as mais de duas toneladas. É ver o velocímetro digital mudar os números rapidamente sem que, a bordo, haja qualquer sensação de insegurança.

Com o pé no acelerador, os consumos destacam-se no ecrã à nossa frente, mas com o cruise control a tomar conta da viagem, é ver a média encolher e encolher. Até onde? Fazer uma média de 5,9 litros aos 100 quilómetros parece mentira com um automóvel deste tamanho, com um motor poderoso como este. Mas é verdade.

Ir de Lisboa ao Porto e voltar… e ficar com gasóleo suficiente para continuar é razão para festejar. E até isso o A8 faz por nós. Depois de estacionado, o toque no botão para fechar faz disparar o “fogo de artifício”. Na verdade, é mais um espetáculo de luz, com os OLED na traseira a fazerem a sua breve, mas expressiva, dança. A luz que atravessa toda a parte traseira, e que é a verdadeira assinatura deste topo de gama, despede-se de nós com todo o esplendor. Até ao próximo voo.

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