Criar o próprio emprego foi a opção de 15% dos portugueses que não encontravam trabalho

Em Portugal, 15% das pessoas que criaram o seu próprio emprego fizeram-no porque não conseguiam encontrar trabalho. A Roménia foi, contudo, o país da UE onde o desemprego mais influenciou a decisão.

A União Europeia (UE), em 2017, contava com 228 milhões de pessoas empregadas, das quais cerca de 33 milhões criaram o seu próprio emprego. Essa decisão, de abrir um negócio próprio, é a opção de muitas pessoas, motivadas pelas mais diferentes razões: desde a vontade de ter um horário flexível até à continuação de um negócio que vem de família. Contudo, muitas vezes, a motivação vem de uma necessidade, a de encontrar uma alternativa para o desemprego.

Foi precisamente o que aconteceu a alguns portugueses. Em Portugal, 15% das pessoas que criaram o seu próprio emprego fizeram-no porque não conseguiam encontrar trabalho, revelam os dados do Gabinete de Estatísticas da UE, o Eurostat.

Contudo, foi na Roménia que esta razão mais pesou, com 38% dos romenos a justificarem a abertura de um negócio próprio pela dificuldade que sentiam em encontrar emprego, seguindo-se a Croácia (23%). Por outro lado, na Áustria, o desemprego foi algo que quase não teve influência no momento da decisão. Apenas 4% das pessoas disseram que criaram o seu próprio emprego por não encontrarem trabalho.

Mas, voltando ao nosso país, há mais razões que os portugueses apontam para justificarem a decisão de criar o seu emprego. Primeiro — e a mais indicada (28%) — é a identificação de uma oportunidade de negócio, seguindo-se depois a continuidade de um negócio familiar (17%).

Já a possibilidade de fazer horário flexíveis, já que muitas vezes são decididos pelo próprio, é um fator ao qual os portugueses não recorreram com expressão significante (apenas 3% apontou este como o motivo para a criação do seu trabalho). Aliás, neste ponto, Portugal é o segundo país com a percentagem mais baixa. Apenas os gregos dão ainda menos importância ao horário flexível (1%).

E há também diferenças de género neste tópico. É que as mulheres privilegiam o facto de terem alguma flexibilidade de horário, mais do que os homens.

Uma vez criado, como vai o negócio?

Sem dificuldades”. Esta foi a reposta que 26% dos portugueses nesta situação deram ao inquérito do Eurostat. A resposta vai ao encontro do sentimento vivido nos restantes países da União Europeia e fica, ainda assim, um pouco abaixo da média registada na União Europeia (28%).

O país onde o negócio parece que corre melhor é a República Checa, onde 44% das pessoas diz que não sente qualquer dificuldade. Contudo, nesse mesmo país, por outro lado, os processos administrativos apresentam-se como uma dificuldade maior.

Os auto empregados de Portugal, por sua vez, não sentem os processos administrativos como um grande fardo. Já os períodos em que não há clientes ou projetos são uma grande dificuldade para o negócio (21%), tal como os atrasos de pagamentos ou, mesmo, a falta deles (19%).

Já na Suécia e na Roménia, atrasos nos pagamentos é algo que, de maneira geral, não se apresenta como um problema para o negócio, sendo que apenas 4% das pessoas admitiu que era, de facto, uma dificuldade.

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