Onda vermelha mergulha Europa em mínimos de 2016. Investidores desconfiam da Fed

Os principais índices europeus sofrem perdas acentuadas, com os investidores a "desconfiarem" da decisão da Fed de subir juros por duas vezes no próximo ano e o impacto que pode ter sobre a economia.

Uma onda vermelha inunda a Europa nesta última sessão da semana, com os principais índices bolsistas a mergulharem em mínimos de dois ou mais anos. E a culpa parece estar na Reserva Federal dos EUA (Fed). Os investidores mostram-se “desconfiados” da decisão da entidade liderada por Powell de subir as taxas de juro por dois anos por receio do impacto que tal poderá ter sobre o crescimento económico. O índice Stoxx Europe 600 cai em torno de 1,5%, para mínimos de novembro de 2016.

As ações europeias dão seguimento às perdas registadas na Ásia e às de Wall Street que também fechou em novos mínimos, com os investidores a digerirem mal o resultado da última reunião de política monetária da Fed.

As quedas são transversais ao Dax alemão que cai 1,19%, ao CAC francês que recua 1,38%, ao espanhol IBEX que perde também 1,38% e ao britânico Footsie que desliza 1,21%. Lisboa acompanha esse sentimento, com o PSI-20 a perder 1,21%.

A nível europeu, a banca figura entre os setores mais penalizados, com perdas próximas de 2%, enquanto o setor das retalhistas mergulha para novos mínimos de 2014.

O sell-off teve o seu pontapé de saída em Wall Street na quarta-feira, sendo que os futuros para o mercado norte-americano apontam para que a tendência se prolongue pela sessão desta quinta-feira, depois de Jerome Powell ter desvalorizado as implicações da volatilidade dos mercados e ter dado seguimento à reversão do quantitative easing da Fed. Os efeitos também se fazem sentir sobre o dólar que perde fôlego face aos pares, negociando em mínimos de dez dias. O euro acelera 0,84% face ao dólar, para os 1,1471 dólares.

O banco central norte-americano decidiu subir as taxas de juro, pela quarta vez este ano. Em causa está um aumento de 25 pontos base na taxa diretora, fixando o intervalo dos juros entre 2,25% e 2,50%, algo que já era aguardado pelo mercado. Mas surpreendeu ao anunciar esperar aumentar duas vezes as taxas de juro em 2019. Isto quando os dados recolhidos pela Reuters indicavam que os analistas esperavam apenas uma subida no próximo ano.

“As taxas de juro não podem continuar a subir por muito tempo sem ter consequências importantes para o crescimento económico“, afirmou Edoardo Fusco Femiano, analista de mercado da corretora eToro, citado pela Reuters.

“Eles [os investidores] acham que a Fed avaliou mal a situação e agora é apenas uma questão de tentar encontrar uma saída enquanto podem”, disse ainda Kyle Rodda, analista de mercados do IG Group, citado pela Bloomberg.

"As taxas de juro não podem continuar a subir por muito tempo sem ter consequências importantes para o crescimento económico.”

Edoardo Fusco Femiano

Analista de mercado da corretora eToro

Embora Powell e os seus colegas tenham sinalizado um caminho menos agressivo para o aumento das taxas em 2019 face a este ano, a sua sugestão de que a recente turbulência nos mercados não preocupa o banco central dos EUA provaram ter um impacto maior. “Não olhamos para nenhum mercado”, afirmou Powell, acrescentando que, no abstrato, “um pouco de volatilidade” provavelmente não deixa uma marca na economia.

Por outro lado, o banco central liderado por Powell decidiu rever em baixa as projeções para o PIB norte-americano, antecipando um crescimento de 2,3% no próximo ano, o que abala a confiança dos investidores.

Mantém-se o fosso entre a posição da Fed e as expectativas políticas dos mercados para 2019”, sublinhava o analista David Joy, citado pela Reuters na quarta-feira ao final do dia. O norte-americano reforçava ainda que esta quarta subida das taxas foi uma “desilusão” para os investidores.

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