Próximo Governo brasileiro liderado por Bolsonaro terá 22 ministros

  • Lusa
  • 30 Dezembro 2018

O vencedor das eleições presidenciais disputadas no Brasil em outubro passado, Jair Bolsonaro torna-se Presidente na terça-feira, liderando um executivo formado por 22 ministros.

O vencedor das eleições presidenciais disputadas no Brasil em outubro passado, Jair Bolsonaro torna-se Presidente na terça-feira, liderando um executivo formado por 22 ministros.

Na campanha presidencial, Bolsonaro prometeu formar uma equipa de notáveis, mas após ser eleito indicou nomes que despertaram simpatia dos brasileiros e também outros que geraram grande controvérsia no país.

Sem muita surpresa, Bolsonaro confirmou a nomeação do economista neoliberal formado na Escola de Chicago Paulo Guedes para liderar o Ministério da Economia.

Guedes nunca ocupou cargos públicos, mas tem uma longa trajetória no mercado financeiro, tendo fundado o Banco Pactual e o grupo Bozano Investimentos. Integrou o conselho de administração de grandes empresas brasileiras como a PDG Realty, Localiza e a Anima Educação.

O futuro ministro da Economia foi anunciado ainda na campanha presidencial como avalista de propostas para o Brasil baseadas em privatizações, descentralização e mais ajustes fiscais.

Para liderar a pasta da Justiça, Bolsonaro escolheu Sérgio Moro, ex-juiz que foi responsável pela condução da Operação Lava Jato, que desvendar grandes esquemas de corrupção na estatal petrolífera brasileira Petrobras, e pela prisão de empresários, ex-funcionários públicos e políticos de renome como o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Também fará parte do núcleo central do Governo o deputado federal (membro da câmara baixa) Onyx Lorenzoni, que foi o braço direto de Bolsonaro na campanha presidencial e agora ocupará a pasta da Casa Civil.

Antigo colega de Bolsonaro na câmara baixa do Congresso brasileiro, Onyx Lorenzoni identifica-se com o Presidente eleito no perfil conservador ou na defesa da propriedade privada.

Lorenzoni diz ser contra a corrupção, embora tenha confessado ter recebido dinheiro não declarado à justiça na sua campanha eleitoral doado ilegalmente pela empresa JBS, definindo-se também como um político liberal.

Foi eleito cinco vezes consecutivas para o cargo de deputado federal pelo estado brasileiro do Rio Grande do Sul, e agora será responsável pela articulação política do Governo Bolsonaro.

Na pasta da Agricultura, área considerada fundamental para o novo Governo, foi escolhida como ministra a deputada Tereza Cristina, que balizou a sua carreira defendendo o agronegócio e projetos polémicos, como uma nova regulamentação para uso de agrotóxicos que pretende aliviar as regras impostas ao registo deste tipo de produto no Brasil.

A futura ministra já anunciou decisões polémicas como o plano de acabar com inspeções diárias em fábricas de carnes do Brasil que eram feitas por funcionários públicos.

Fazem parte ainda do núcleo duro do Governo três generais do Exército brasileiro: Carlos Alberto dos Santos Cruz, que participou em missões de paz no Haiti e no Congo e ocupará a Secretaria de Governo, Augusto Heleno Ribeiro, que também comandou a missão de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti e foi oficial militar da Amazónia brasileira, e Fernando Azevedo e Silva, que era chefe do Estado-Maior do Exército e comandante da Brigada de Paraquedistas.

Uma das maiores polémicas criadas na escolha do novo Gabinete do Governo brasileiro foi a indicação de Ernesto Araújo para liderar o Ministério das Relações Exteriores.

Diplomata de carreira no Itamaraty, que subiu a um escalão mais elevado em 2016 quando passou a dirigir o Departamento de Assuntos Interamericanos do Ministério das Relações Exteriores, Araújo já declarou admirar o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ser um adversário do globalismo e do marxismo cultural.

Antes de tomar posse, o futuro ministro já tomou posições controversas como anunciar a saída do Brasil do pacto de Migrações da Organização das Nações Unidas (ONU).

Araújo também retirou os convites para a posse de Bolsonaro enviados para os Governo de Cuba, Venezuela e Nicarágua, países que classifica como ditaduras de esquerda.

Outra escolha controversa deu-se no Ministério do Meio Ambiente, que será liderado por Ricardo Salles.

Advogado ligado ao grupo Endireita Brasil, organização civil que promove valores ultraconservadores, Salles ocupou o cargo de secretário de Meio Ambiente no governo estadual de São Paulo.

Após ocupar este cargo, foi condenado por improbidade administrativa por supostamente favorecer empresas de mineração que queriam explorar áreas de conservação no estado de são Paulo.

À frente do Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos, que passará a existir no Governo de Bolsonaro, está outra ministra contestada por muitos brasileiros, a pastora evangélica Damares Alves.

Defensora do que ela mesma classifica de valores da família cristã, Damares Alves chegou a anunciar um plano para evitar que mulheres violadas abortem no Brasil.

Antes de ser indicada para o cargo, era conselheira de uma frente parlamentar evangélica, que apoiou Bolsonaro na campanha eleitoral.

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