Apple afunda e arrasta tecnológicas europeias para mínimos de dois anos

Os títulos da empresa liderada por Tim Cook cotados na Alemanha afundam 7% e há fornecedores a desvalorizem 18%. O setor tecnológico na Europa não resiste ao sentimento.

A Apple reviu em baixa as estimativas de vendas pela primeira vez em quase duas décadas, devido a uma procura na China mais baixa que o esperado causada, em parte, pela desaceleração da economia global. As ações da empresa liderada por Tim Cook afundaram na última sessão em Wall Street e, cotados na bolsa alemã, derrapam esta quinta-feira, arrastando todo o setor tecnológico na Europa.

O CEO da dona do iPhone explicou, numa carta dirigida aos investidores e divulgada após o fecho da bolsa de Nova Iorque, que espera receitas de 84 mil milhões de dólares nos três primeiros meses do novo ano fiscal (ou seja, entre outubro e dezembro). O montante representa uma quebra face à anterior estimativa, que apontava para um intervalo entre os 89 mil milhões e os 93 mil milhões de dólares.

“Apesar de anteciparmos alguns desafios nos principais mercados emergentes, não fomos capazes de ver a magnitude da desaceleração económica, particularmente na China. A maior parte da nossa redução de receita esperada ocorreu na China em relação ao iPhone, Mac e iPad”, escreveu Cook.

Na negociação após o fecho do mercado, as ações da Apple afundaram 8,5%. Na bolsa da Alemanha, os títulos caem 7,7% para 145,47 dólares por ação. Em reação, o setor tecnológico na Europa perde 3,7% para mínimos desde fevereiro de 2017.

Os fornecedores da Apple estão a ser especialmente penalizados. O produtor de sensores óticos para telemóveis, AMS AG, tomba 18,3% em Zurique, enquanto o produtor de componentes energéticos Dialog Semiconductor desvaloriza 9,7%. O coreano que desenvolve memórias SK Hynix caiu 4,8% e a Samsung, que faz chips para a Apple, recuou 3%. Nos EUA, os futuros de Wall Street não auguram uma sessão positiva, com o Nasdaq a tombar 2,6%.

A Apple deverá apresentar os dados em fevereiro. Os analistas do Bankinter consideram que o corte de estimativas de vendas, devido à menor procura da China, “agravou os receios de uma desaceleração global, quando estamos apenas a uma semana da retoma das negociações entre China e EUA”, mas sublinham que “já era esperado, se tivermos em conta os vários sinais que já apontavam nesta direção”, numa nota publicada esta quinta-feira.

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