Era improvável a bitcoin afundar, mas afundou. E a Apple vai mesmo comprar a Tesla?

O Saxo Bank define todos os anos previsões improváveis para o ano seguinte. Entre as de 2018, algumas quase que se tornaram realidade. Conheça agora as para 2019.

Com dezembro a avançar, os analistas começam a fazer previsões para o próximo ano. Entre elas, há as tradicionais previsões improváveis. Mas a verdade é que, olhando para as projeções excêntricas feitas no final do ano passado, houve algumas que foram são assim tão estapafúrdias. Em 2018, a bitcoin não chegou a 1.000 dólares, mas não andou longe. E em relação aos EUA, houve três pontos em que os analistas não estiveram completamente errados.

O Saxo Bank antecipava que a bitcoin iria chegar aos 60 mil dólares, antes de ser atirada aos lobos, e afundar até aos mil dólares devido ao lançamento de uma criptomoeda russa (que destronasse as pares) e a proibição da mineração na China (um dos maiores mercados da bitcoin). Apesar de não se ter concretizado, a bitcoin tombou mais de 75% desde o início do ano até aos atuais 3.650 dólares.

Esta foi a previsão mais próxima, mas houve outras que não andaram longe. O Saxo Bank antecipava um flash crash de 25% no índice norte-americano S&P 500, o que não aconteceu, mas a tempestade não se afastou dos mercados financeiros este ano, que ficará marcado por pelo menos dois sell-offs que fizeram temer o fim dos tempos áureos das bolsas. Para já, tudo indica que o índice financeiro feche o ano na linha de água.

O banco dinamarquês previa também uma mudança partidária radical nos Estados Unidos que levasse a esquerda ao poder, nas eleições intercalares de 2018. A realidade não andou longe: os republicanos de Donald Trump perderam o controlo da Câmara dos Representantes para os democratas, deixando o Senado dividido.

E os analistas previam ainda que, em consequência, o défice norte-americano acelerasse e os juros das Treasuries disparassem para mais de 5%. Também neste ponto há proximidade da realidade, mas por razões diferentes: o défice dos EUA disparou para 100 mil milhões de dólares em outubro (mais 58% que no mês homólogo) devido às reformas da administração. A yield das Treasuries a 10 anos tocou os 3%.

A última projeção que se aproximou da realidade também aconteceu nos EUA. O banco dizia que a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) ia voltar a perder a independência (tal como aconteceu na Segunda Guerra Mundial) e o Tesouro norte-americano iria impor um teto de 2,5% nas taxas das Treasuries após um pico nos juros dos EUA. Apesar de não ter acontecido, o presidente dos EUA, Donald Trump, não se coibiu de criticar o presidente da Fed, Jerome Powell, pondo fim à tradição de a administração no poder não se pronunciar sobre a liderança do banco central.

Maioria era mesmo improvável

Apesar de algumas aproximações à realidade, na sua maioria, as previsões improváveis não passaram disso mesmo. O barril de petróleo não passou a ser negociado em moeda chinesa, o euro não ficou em perigo devido aos receios com uma nova ordem política e a Tencent não se tornou a primeira empresa chinesa a valer mais de 500 mil milhões de dólares ultrapassando o Facebook e Apple (que este ano até chegou ao bilião de euros).

As mulheres não tomaram de assalto a liderança das maiores empresas no mundo, o iene não desvalorizou de forma a obrigar o Banco do Japão a inverter as políticas monetárias, e a Primavera Africana não levou a uma valorização da moeda sul-africana.

Contas feitas, houve quatro previsões que se aproximaram (parcialmente) da realidade e outras seis que não saíram da categoria de improváveis, em 2018. E no próximo ano? As novas previsões improváveis para 2019 já são conhecidas.

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“Um mundo com Donald Trump como presidente dos EUA torna o absurdo uma matéria-prima barata no ciclo noticioso diário, mas isso não impede as projeções improváveis deste ano: a nossa tarefa anual de invocar eventos improváveis — mas não impossíveis — que poderão acontecer no próximo ano”, escreveu Steen Jakobsen, economista chefe do Saxo Bank, no documento de 2019.

“A edição deste ano tem como tema unificador ‘enough is enough‘. Um mundo que corre no vazio terá que acordar e começar a criar reformas, não porque quer, mas porque tem de o fazer. Os sinais estão em todo o lado. As avaliações estão esticadas, as mudanças políticas são súbitas, e até desenvolvimentos culturais menores como a emergência de uma celebridade a chefe parece apontar para uma sociedade esticada ao seu máximo”, alerta.

Assim, os 10 cenários improváveis para 2019 são:

  • Dois ícones da tecnologia unem-se num negócio inesperado, mas lógico e conveniente. A Apple compra a Tesla, por 520 dólares por ação, com o objetivo de abrir horizontes e entrar no mercado dos carros inteligentes.
  • As tensões entre Donald Trump e do presidente da Reserva Federal escalam de tal forma que o presidente da administração norte-americana despede Jerome Powell. As novas políticas do substituto chocam muita gente, especialmente os aforradores.
  • O setor automóvel alemão não consegue competir a nível global e afeta não só os lucros das empresas como toda a economia do país. A Alemanha entra em recessão no terceiro trimestre de 2019.
  • O início do 25º ciclo solar, uma tempestade solar atinge o hemisfério ocidental e lança o caos nas viagens na terra e no ar. Os danos atingem os dois biliões de dólares.
  • Jeremy Corbyn, atual líder da oposição no Reino Unido, chega a primeiro-ministro, após dois anos de “agonizantes” negociações do Brexit. O governo de esquerda implementa políticas da velha guarda e a libra esterlina dispara até paridade com o dólar norte-americano.
  • O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial anunciam que o Produto Interno Bruto (PIB) deixa de ser medido e o crescimento económico dos países passa a ser avaliado através da produtividade.
  • A era das viagens e transportes baratos chega ao fim, com as alterações climáticas a obrigarem à implementação a nível mundial de um Imposto Global de Transporte.
  • A União Europeia anuncia um ‘jubileu da dívida’. Os níveis insustentáveis de dívida pública na zona euro, associados a uma revolta populista, subida das taxas de juro de referência e desaceleração do crescimento económico levam a emissão de Eurobonds (para financiar perdão de dívidas) e a mudanças nas metas dos Programas de Estabilidade.
  • A — outrora todo-poderosa — General Electric sucumbe à dívida e vê-se obrigada a abrir falência. O efeito contágio atinge os mercados de forma geral e o buraco negro gerado atinge até mesmo a Netflix.
  • O banco central da Austrália lança um programa de quantitative easing devido a uma escalada da inflação, impulsionada pela galopante subida dos preços das casas e consequente explosão da bolha imobiliária no país.

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