Governo italiano admite nacionalização do banco Carige

  • Lusa
  • 9 Janeiro 2019

O executivo italiano admitiu esta quarta-feira a possibilidade de recapitalizar e nacionalizar daquele que é considerado o décimo maior banco italiano.

O Governo italiano admitiu esta quarta-feira a possibilidade de recapitalizar e nacionalizar o banco Carige, hipótese rejeitada pelos gestores provisórios da entidade nomeados pelo Banco Central Europeu (BCE).

“Não estamos a falar de um resgate do Carige, mas de uma nacionalização. A regra é uma: se o Estado injeta dinheiro no banco, este passa a ser do Estado. Sempre dissemos isso”, declarou o líder do Movimento Cinco Estrelas e vice-primeiro-ministro italiano, Luigi Di Maio, numa entrevista ao jornal Fatto Quotidiano.

O dirigente insistiu que neste momento não foi dado “nem um euro público ao banco” e referiu que a entidade não será saneada para depois ser vendida.

A nacionalização do Carige também foi defendida pelo secretário da presidência do Conselho de Ministros italiano, Gian Carlo Giorgetti, que disse que é uma opção concreta.

O Governo de coligação italiano, apesar de uma retórica contra as intervenções de apoio ao sistema bancário, decidiu adotar um programa de ajuda ao banco Carige, que atravessa grandes dificuldades há vários anos, devido a problemas de crédito malparado e a uma gestão instável.

Segundo um decreto-lei publicado esta quarta-feira, o programa prevê uma garantia pública sobre novas obrigações emitidas até um montante de 3 mil milhões de euros e uma ajuda para uma eventual recapitalização num montante máximo de mil milhões de euros.

Este cenário foi, no entanto, afastado por Pietro Modiano, um dos três administradores provisórios do banco Carige designado pelo BCE.

“A recapitalização preventiva não está em cima da mesa, não é necessária, nego que seja uma opção, é uma hipótese teórica”, afirmou.

O Carige foi alvo de uma intervenção pelo BCE no passado dia 02, depois de não ter conseguido aprovar um aumento de capital de 400 milhões de euros e a emissão de obrigações no valor de 320 milhões de euros, um fracasso que levou à demissão da maioria dos administradores da entidade financeira genovesa.

O BCE acabou por nomear uma administração provisória para gerir aquele que é considerado o décimo banco de Itália.

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