O que Montenegro disse até chegar aqui

Rio ainda não fez um ano desde que foi eleito, mas já tem um opositor. Montenegro lança esta sexta-feira a sua candidatura à liderança do PSD. O ex-líder parlamentar quer diretas já.

Não apoiou Rui Rio na candidatura à liderança do PSD, é contra entendimentos com o PS, mas defendeu, ainda assim, que Rio tem o direito de ir a legislativas. Mudou de ideias e avança já. Esta sexta-feira, Luís Montenegro apresenta-se como candidato à liderança do PSD, desafiando um Rio que nem há um ano foi escolhido pelos militantes.

Saída de Passos abre caminho a Montenegro

Depois da derrota nas autárquicas, Passos Coelho decide deixar a presidência do partido. Surgem nomes para o suceder e Luís Montenegro que esteve na primeira linha do combate político no Parlamento está entre os favoritos. No entanto, não avança. “Após a reflexão que fiz, entendo que, por razões pessoais e políticas, não estão reunidas as condições para, neste momento, exercer esse direito“, disse a 6 de outubro de 2017. Na altura pediu ao partido que fizesse um debate de ideias. “É determinante que o PSD não fulanize o debate interno e que seja capaz de discutir as ideias e os projetos que deveremos apresentar aos portugueses.”

O apoio a Santana, o rival de Rio

Tido no partido como um peso pesado da ala passista, Montenegro esclarece a dois dias das eleições internas do partido em quem vota. “Vou votar Pedro Santana Lopes. Trabalhei de muito perto com ele em 2007 e 2008, sei do seu conhecimento dos desafios do país, da sua sensibilidade política e social. Mostrou nesta campanha que tem capacidade de ouvir e de construir uma alternativa governativa mobilizadora na ambição e rica no programa político”, disse precisamente há um ano.

O tempo era de Rio…mas o aviso ficou feito

É tempo de nos deixarmos de guerras artificiais (…) Eu não sou, não quero e não vou ser oposição interna a Rui Rio”, disse em fevereiro, no congresso laranja que entronizou Rui Rio. Anunciou que sairia do Parlamento, acrescentou que ia andar por aí — passou a escrever opinião no Expresso e tem um programa na TSF –, e adiantou que se achasse por bem regressar “não pedia licença a ninguém”. Mas quando subiu ao palco laranja tinha mais para dizer. Defendeu que “o PSD está e estará onde sempre esteve” e que é o PS que “está onde nunca tinha estado. Pertíssimo do Bloco de Esquerda e do PCP”. A campanha interna tinha sido marcada pelo debate sobre se o PSD devia estar mais ao centro ou não, no cenário de um Governo do PS com apoio à esquerda. “É um erro dizer que temos de nos recentrar porque na verdade nós nunca nos descentrámos“, disse, mostrando-se contra um bloco central de partidos, um bloco central de interesses, mas apoiando um bloco central de políticas

Montenegro descarta mudança de líder

A 25 de julho de 2018, e já depois de Rio ter assinado dois acordos com Costa (fundos comunitários e descentralização), Luís Montenegro descartou a possibilidade de desafiar o líder do partido. “Não me parece que possa haver congresso extraordinário antes das legislativas, nem acho que deva haver uma mudança de líder do PSD”. No entanto, deixou um cenário para que isso acontecesse: “Só se houver o apoio político do PSD a um Governo do PS”.

O direito de Rio ir a legislativas

Luís Montenegro continuava a criticar a estratégia. “Se dentro do PSD há quem pense que uma aproximação ao PS poderá constituir, do ponto de vista eleitoral, uma forma de captar mais eleitorado, eu penso que a resposta está dada: O PS não está para aí virado“, defendei a 3 de outubro do ano passado. Mas mesmo assim mantinha a ideia de que Rio tinha de ir a eleições. Dois dias depois, em entrevista ao Expresso, afirmou que “Rio tem o direito a disputar as legislativas” e desautorizou as movimentações que já nessa altura aconteciam no sentido de precipitar a queda do presidente do partido. “O PSD precisa de bom senso e maturidade. O nosso adversário é o PS, António Costa e o imobilismo deste Governo amarrado à esquerda radical”, disse então Montenegro.

A gota de água chamada Ferreira Leite

Já este ano, Montenegro terá decidido acelerar o calendário. Não gostou de ouvir a antiga líder do PSD a dizer que era preferível um mau resultado a ter o “rótulo de direita” e reagiu: “Esta afirmação de Manuela Ferreira Leite, que corresponde à linha política da atual direção, não é a minha e quero dizer com toda a frontalidade: estarei sempre na linha de um PSD grande e ganhador.” E as distritais já se agitavam depois de quase um ano de dificuldades e polémicas à mistura. Decidiu avançar depois de um ano de PSD a cair nas sondagens, que dão uma média de 26%.

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