Centeno: Brexit, Itália e…tweets de Trump são “riscos desnecessários”

  • ECO
  • 12 Janeiro 2019

Na hora de fazer o balanço do primeiro ano à frente do Eurogrupo, Centeno diz que "Portugal deixou de ser tema de discussão" e considera que dificilmente haverá acordo sobre depósitos no seu mandato.

No dia em que celebra o primeiro aniversário como presidente do Eurogrupo, Mário Centeno considera que “o Brexit, a situação orçamental italiana e as decisões ao som de tweets da administração americana” são riscos desnecessários.

Na hora do balanço, o ministro das Finanças diz em entrevista ao Dinheiro Vivo e TSF, que os governos de Itália, Reino Unido e EUA tomaram decisões “com base numa avaliação e em informação que não reflete o contexto em que essas decisões estão a ser tomadas”.

Centeno considera mesmo esses “riscos desnecessários” como as frustrações de 2018.

Sobre a eventualidade de um “hard brexit”, Centeno diz que não “seria bonito do lado de lá do Canal da Mancha”. Apesar de referir que “quem sairia mais a perder seria, claramente, o Reino Unido”, o ministro admite que seria um fardo para toda a Europa.

“Não acho que devamos considerar esse cenário como um cenário sequer possível, espero genuinamente que todos o consigamos evitar. É evidente que neste momento a questão está mais do lado do Reino Unido que do lado da Europa”, afirma.

No panorama europeu, Mário Centeno fala também da situação italiana. “Itália tem desafios de crescimento que se refletem no setor financeiro, e obviamente tem de continuar a reduzir riscos… por isso devíamos ter sido mais lestos a chegar a acordo entre Itália e Comissão Europeia”, reconhece o ministro.

Ainda assim, Centeno deixa alguns elogios ao governo italiano, sobretudo no que se refere ao sistema financeiro.

“Houve enorme esforço dos governos italianos na recuperação dos bancos que tinham dificuldades em Itália, o [crédito] malparado já está abaixo de 10% neste momento, todos os bancos têm melhor desempenho”, reconhece o presidente do Eurogrupo.

Apesar de fazer um balanço positivo do seu mandato, Centeno admite que “dificilmente” haverá acordo sobre a proteção dos depósitos no seu mandato. Mas garante que “ele está em cima da mesa”.

“Pela primeira vez este ano um conselho europeu referenciou explicitamente o EDIS [fundo de garantia de depósitos europeu], nunca antes, apesar de já estar em cima da mesa e de ser assumido como um pilar do ponto de vista técnico da união bancária, nunca antes o conselho europeu o tinha referenciado numa das suas conclusões”, refere.

Centeno adianta ainda que “criamos um grupo de trabalho que vai ser apresentado proximamente, que terá de produzir conclusões até ao verão e a minha ideia é que esse grupo de trabalho recolha todos os contributos, técnicos e políticos, que estão em cima da mesa e os elabore e trabalhe neles de forma pausada. Tudo isto tem de ser feito com muita ponderação, dada a sensibilidade às questões de risco que existem entre nós”.

“Portugal deixou de ser tema de discussão no Eurogrupo”

Como não podia deixar de se Portugal foi também referido pelo ministro na entrevista. Para Centeno “a grande notícia dos últimos tempos é que Portugal deixou de ser tema de discussão no Eurogrupo“. Situação que diz que “deve deixar muito felizes todos os portugueses”.

Centeno aproveitou a ocasião para deixar um recado aos sindicatos da Função Pública. “É a única maneira de também nestas negociações entendermos uma coisa: o que estava no programa do governo foi cumprido à risca, tudo o que não estava no programa do governo e que o governo debateu com a sociedade portuguesa foi de forma muito transparente avaliado e valorizado, mas nenhuma dessas matérias pode fazer com que o país saia do caminho que escolheu há quatro anos”, destaca.

 

 

 

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