Fitch vê preço das casas em Portugal a subir mais de 6% até 2020

A agência de notação financeira prevê um abrandamento do ritmo de crescimento dos preços das casas no conjunto da Europa nos próximos dois anos. Ainda assim, vê subidas acima de 6% em Portugal.

A Fitch está a prever um abrandamento do ritmo de crescimento dos preços das casas no conjunto dos países da Europa ao longo dos próximos dois anos. Ainda assim, a agência de notação financeira antevê para 2019 e 2020, aumentos de preços de pelo menos 5% em vários países. Para Portugal aponta para subidas ainda mais expressivas.

“A Fitch espera que o crescimento do preço das casas desacelere na maioria dos países europeus tanto em 2019 como em 2020, à medida que o programa de estímulos do BCE termina, o crescimento do PIB abranda e os constrangimentos devido aos elevados custos dos imóveis limitem a procura”, dá conta a Fitch numa nota publicada nesta terça-feira.

A agência de notação financeira acredita, ainda assim, que diversos países do velho Continente ainda que registando um abrandamento no ritmo de progressão continuem a apresentar “fortes crescimentos de preços de pelo menos 5% em 2019”, incluindo nesse grupo a Irlanda, a Holanda, Portugal e Espanha. Especificamente para Portugal, aponta para aumentos de preços de 6,5% em 2019 e 6% em 2020.

Cenário para os preços das casas em Portugal

Taxas de crescimento que ficam ainda assim bastante aquém do recentemente verificado. Em 2018, os preços da habitação em Portugal cresceram 24%, a segunda taxa mais elevada tendo em conta o conjunto de 13 países europeus considerado na análise da Fitch. Desse conjunto, apenas a Grécia registou um crescimento de preços das casas mais elevado no ano passado: 25%.

“Esperamos que a acessibilidade à habitação a nível nacional se agrave apenas moderadamente nos próximos dois anos“, afirma Juan David Garcia, numa análise mais pormenorizada da realidade portuguesa. Um cenário que o especialista da Fitch acredita não será transversal às diferentes geografias do país.

Juan David Garcia defende que no caso das grandes cidades a acessibilidade à habitação se irá degradar numa maior extensão. Suporta o seu ponto de vista “no crescimento mais lento dos salários face ao do preço das casas, com os compradores não residentes com cash e a oferta limitada de novas casas a forçarem a subida dos preços”.

“Os últimos dados de vendas de preços de casas de Lisboa e Porto mostram um aumento de 20% a 22% face ao final do segundo trimestre de 2018, o que é mais que o dobro do aumento de 9% nos preços a nível nacional ao longo desse período”, lembra o especialista da Fitch.

Crédito à habitação vai continuar a crescer, mas menos

Relativamente ao mercado de crédito, as perspetivas da Fitch apontam para um abrandamento do ritmo de crescimento da concessão. “O crescimento dos novos empréstimos à habitação devem abrandar para 15%, em 2019, face a 25% na primeira metade de 2018“, antecipa a agência de rating, num cenário em que prevê ainda que a principal referência escolhida seja a taxa variável.

Já no que respeita aos critérios para a concessão dos empréstimos pelos bancos, a Fitch diz acreditar que “devem manter-se adequados”, salientando nesse âmbito “as regras macroprudenciais definidas pelo Banco de Portugal no ano passado”.

(Notícia atualizada às 16h15 com mais informação)

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