Ministro defende propinas pagas por empresas para reduzir “custos diretos das famílias”

  • Lusa
  • 22 Janeiro 2019

"Temos de estimular os empregadores a incentivarem a formação ao longo da vida", defende o ministro do Ensino Superior.

O ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, defendeu esta terça-feira, em Bruxelas, a aposta em pós-graduações e mestrados pagos pelos empregadores, o que iria permitir alterar o financiamento destas instituições e reduzir os “custos diretos das famílias”.

“Temos, sobretudo, de estimular e provocar os empregadores a incentivarem a formação ao longo da vida. Não é algo que se faz por decreto, é algo que se faz com empresas, com empregadores e com a administração pública”, defendeu o governante em declarações à agência Lusa, à margem de uma conferência sobre a política europeia para o espaço, em Bruxelas.

Numa altura em que se discute o fim das propinas, Manuel Heitor defendeu “a necessidade de alargar a penetração do ensino superior em Portugal”, deixando de estar apenas centrada em licenciaturas. “Isso requererá, na próxima década, reduzir os custos diretos das famílias, ao mesmo tempo que modernizamos e transformamos gradualmente a estrutura, quer de financiamento, quer de operação”, acrescentou o governante, sugerindo a aposta em cursos de pós-graduação e de mestrado.

A seu ver, urge “estimular uma estrutura do ensino superior que deixa de estar focada na formação inicial para diversificar e especializar em muitas áreas, sobretudo, na área da pós-graduação, o que tem consequências importantes para alterar a estrutura de financiamento das instituições de ensino superior”.

Isto porque, atualmente, “o ensino superior em Portugal tem uma estrutura de financiamento baseada, sobretudo, na formação inicial porque [Portugal] tem a população estudantil mais jovem da Europa, com uma idade média dos estudantes de 25 anos, o que compara, noutros países do norte da Europa, com 41 anos”, observou.

Para Manuel Heitor, o “grande desafio da sociedade portuguesa” é, assim, passar-se para “uma estrutura de financiamento obviamente diferente e também [para] uma maior contribuição quer daqueles que beneficiem diretamente, quer sobretudo dos empregadores”. Ainda assim, garantiu que o Estado vai “continuar a financiar o ensino superior”.

O fim das propinas tem vindo a ser defendido por dirigentes do PS, do BE, do PCP. Sobre esta questão, o Presidente da República, Marcelo da Rebelo de Sousa, já disse concordar “totalmente” com a ideia de se caminhar para o fim das propinas.

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