Após “ponto máximo de dor”, BlackRock vê oportunidades nas ações europeias

A gestora de ativos norte-americana alerta que "podemos estar a aproximar-nos do ponto máximo de dor" nas ações europeias. Daí que antecipe uma recuperação nas bolsas do Velho Continente.

A recuperação poderá acontecer, mas não antes de as ações europeias atingirem o fundo. A gestora de ativos norte-americana BlackRock considera que os investidores já estão a incorporar a forte desaceleração económica que se aproxima e o aumento de riscos como o Brexit. Assim, a bonança nas ações europeias poderá seguir-se a uma tempestade que já está a ser assumida nos preços dos ativos.

“Dado o sentimento significativamente bearish e o posicionamento em relação às ações europeias, podemos estar a aproximar-nos do ponto máximo de dor, particularmente se os fundamentais estabilizarem e melhorarem a partir daqui”, escreveu Nigel Bolton, que lidera a equipa de ações europeias da BlackRock, numa nota de research.

As ações europeias foram penalizadas ao longo de 2018 pela incerteza nos mercados financeiros devido a questões locais — como as negociações do Brexit ou a disputa entre Itália e a Comissão Europeia sobre as metas orçamentais –, mas também internacionais, com a guerra comercial à cabeça. A conjugação de fatores negativos levou o índice pan-europeu Stoxx 600 a tombar 13,2% no ano (a maior queda desde 2008).

Mas à medida que os investidores dão como certos os problemas que ainda se avizinham, o fim das quedas poderá estar próximo e o gestor vê “oportunidade” para um “ligeiro aumento” no crescimento europeu este ano impulsionado por estímulos orçamentais e forte consumo. Ainda assim, Bolton alerta que a época de resultados poderá desiludir este ano, apontando para riscos de revisão em baixa dos lucros, particularmente entre empresas muito endividadas.

Depois dos EUA, a época de resultados relativos ao quarto trimestre do ano passado na Europa (incluindo Portugal) irá intensificar-se nas próximas semanas. A estimativa da Reuters (com base em dados da Refinitiv) é que venha a ser o prior trimestre para as empresas do Stoxx 600 em seis anos, penalizado pelos receios de desaceleração do crescimento económico especialmente na China, os danos da guerra comercial, da disputa em relação ao orçamento de Itália e a subida das taxas de juro de referência nos EUA.

Os lucros por ação do Stoxx 600 terão aumentado apenas 3,6% na comparação homóloga. O valor tem vindo a ser revisto em baixa consecutivamente. A poll realizada pela Reuters a 15 de janeiro apontava para 6% e, em novembro, ainda havia expectativa de um aumento de 13% nos resultados líquidos.

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