Fim do gasóleo? Estes são os números do diesel em Portugal

É um tema quente. Depois de Matos Fernandes ter "avisado" para a perda de valor dos carros a gasóleo, a discussão acelerou para o fim dos diesel. Isto é o que tem de saber sobre o diesel em Portugal.

Matos Fernandes colocou o fim do diesel em cima da mesa. Ao afirmar em entrevista à Antena 1 e Jornal de Negócios que o valor de um automóvel a gasóleo vai ser muito reduzido dentro de quatro a cinco anos, e que a preferência deveria recair sobre os elétricos, o ministro do Ambiente e da Transição Energética deu o mote para a discussão em torno da mudança de paradigma.

Há metas para cumprir em termos de emissões de gases poluentes. Compromissos assumidos pelo país que obrigarão a que os carros elétricos acelerem mais rapidamente para as estradas nacionais — sendo o preço elevado um travão. Mas, por enquanto, o diesel continua a dominar.

O ECO recolheu alguns números que permitem dar uma ideia do peso que estes motores têm nas estradas. Não só as vendas apesar de estarem em queda continuam a ser maioritariamente a gasóleo, como o consumo deste combustível continua a aumentar. E a pesar de forma expressiva nas contas públicas (e no parque automóvel do Estado).

121 mil novos diesel nas estradas

As vendas de automóveis aceleraram no ano passado. Foram vendidos mais de 200 mil veículos novos, com o gasóleo a manter-se como a principal preferência dos consumidores nacionais.

A venda de ligeiros de passageiros a gasóleo em Portugal totalizou 121.591 unidades, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) cedidos ao Jornal de Negócios. Ainda assim, foram menos 14.050, ou 10,4%, do que em 2017.

A quota de mercado dos carros a gasóleo voltou, assim, a cair. De 61% em 2017, baixou para os 53,25% em 2018, com a gasolina a ganhar alguma da quota, mas com destaque para energias alternativas, nomeadamente veículos elétricos.

Clio é o mais vendido. 7.226 foram a… diesel

A Renault voltou a ser, em 2018, a marca mais vendida no mercado nacional. E o Renault Clio, o utilitário da marca francesa, conquistou o galardão pelo sétimo ano consecutivo.

De acordo com dados da ACAP, foram vendidas 13.592 unidades do Clio no ano passado. E a maioria foi a diesel. Foram registadas 7.226 novas unidades do modelo francês a gasóleo, sendo que ao contrário do que aconteceu no resto do mercado, neste caso assistiu-se a uma subida de 10,6% em relação a 2017.

5,9 mil milhões de litros nos depósitos…

As vendas dos diesel estão em queda. É um facto. Mas o mercado nacional anda a gasóleo. Ainda que não existam dados que permitam saber quanto do parque automóvel circula a gasóleo, há um dado que sustenta esta afirmação: o consumo deste combustível continua a aumentar.

De acordo com dados da Entidade Nacional para o Setor Energético, que veio substituir a Entidade Nacional para o Mercado do Combustíveis, foram comercializadas 4,96 milhões de toneladas de gasóleo no ano passado. Convertidos os valores, são 5,91 mil milhões de litros de diesel que atestaram o depósito de muitos automóveis.

Este valor compara com os 5,81 mil milhões de litros comercializados no ano anterior, tendo-se registado um aumento de 1,82% nas vendas de diesel — que representam 80% das vendas entre gasóleo e gasolina. No caso da gasolina, os dados da ENSE apontam para um quebra de 0,05%.

… 2,78 mil milhões de euros nos cofres do Estado

Os combustíveis são uma importante fonte de receita para o Estado. Entre os impostos indiretos, o Imposto Sobre produtos Petrolíferos (ISP) tem um peso relevante, sendo que como sobre este recai o IVA, a fiscalidade sobre a gasolina e o gasóleo acaba por representar cerca de 10% da receita total de um ano.

Entre os combustíveis, o peso do diesel destaca-se. Mesmo com uma fiscalidade ligeiramente menor do que a gasolina, o elevado consumo deste combustível faz dele uma importante fonte para os cofres do Estado. Considerando apenas o ISP, o Estado arrecadou cerca de 2,78 mil milhões de euros com este combustível.

Estado contribui para o diesel. 73% da frota é a gasóleo

Se não é possível saber ao certo qual o peso do diesel no parque automóvel nacional, é possível saber a representatividade que estes motores têm no Estado.

Entre as viaturas da administração direta e indireta do Estado, incluindo gabinetes ministeriais, só existe um veículo a gás. Cerca de 17 automóveis são híbridos e 55 são movidos a eletricidade. A grande maioria da frota (73%) é a gasóleo, de acordo com dados citados pelo Público.

E mesmo entre os novos automóveis adquiridos pelo Estado, é elevada a preponderância de veículos a diesel, considerados mais poluentes. Cerca de 39% das 277 aquisições ao longo de 2017 foram de veículos poluentes, quando o permitido — para este tipo e automóvel — era de apenas 5%.

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