Desde o referendo do Brexit que o Banco de Inglaterra não estava tão pessimista sobre a economia

O banco central cortou a projeção para o PIB deste ano, para 1,2% (o que significaria o menor crescimento desde 2009). As incertezas da saída da UE e a desaceleração global pesam na economia.

O Banco de Inglaterra está mais pessimista em relação à economia britânica. No dia em que a primeira-ministra Theresa May visita o presidente da Comissão Europeia para debater o acordo de saída da União Europeia, o banco central reviu em baixa as projeções para a economia, alertando para a incerteza do Brexit e os efeitos da desaceleração económica global. As taxas de juro de referência mantiveram-se inalteradas.

“O crescimento económico do Reino Unido abrandou no final de 2018 e parece estar a enfraquecer mais no início de 2019. Esta desaceleração reflete principalmente a atividade externa mais branda e os grandes efeitos das incertezas domésticas do Brexit“, refere o relatório publicado esta quinta-feira pelo Banco de Inglaterra.

A instituição liderada por Mark Carney manteve a estimativa de um crescimento do produto interno bruto (PIB) de 0,3% no quarto trimestre de 2018 e cortou a projeção para o primeiro trimestre de 2019 para 0,2% (face aos 0,4% que antecipava no último relatório, de novembro).

Para o total deste ano, o banco central realizou a maior revisão em baixa desde agosto de 2016 (após o referendo do Brexit): cortou a projeção em 0,5 pontos percentuais, para 1,2% (o que significaria o menor crescimento anual desde 2009). Já para os anos seguintes, projeta um crescimento de 1,5% em 2020 e 1,9% em 2021 (menos 0,2 pontos percentuais que nas projeções de novembro, em ambos os casos).

“As incertezas do Brexit intensificaram-se consideravelmente desde a reunião de novembro do Comité. Essas incertezas estão a penalizar os mercados financeiros do Reino Unido. Os custos de financiamento bancário do Reino Unido e os spreads de obrigações empresariais de alto rendimento não financeiros aumentaram acentuadamente e mais do que em outras economias avançadas. Os preços das ações com foco no Reino Unido caíram materialmente. A libra esterlina desvalorizou ainda mais e a volatilidade aumentou substancialmente. Os indicadores com base no mercado das expectativas de inflação no Reino Unido aumentaram, inclusivamente em horizontes mais longos”, sublinhou o Banco de Inglaterra.

A inflação desaceleração para 2,1% em dezembro e a instituição antecipa que fica ligeiramente abaixo da meta de 2% a curto prazo, em grande parte devido à queda dos preços do petróleo. À medida que o efeito desvanece, aponta para um novo aumento acima dessa barreira. Dentro de um ano, o banco vê a inflação nos 2,35%, dentro de dois anos nos 2,07% e dentro de três anos nos 2,11%.

Resposta monetária ao Brexit é incerta

“A economia mundial continuou a desacelerar nos últimos meses, com um amplo abrandamento em todas as regiões. Essa desaceleração reflete o aperto passado nas condições financeiras globais, bem como o impacto inicial das tensões comerciais no sentimento empresarial. Espera-se que o crescimento global caia abaixo da tendência nos próximos trimestres, pesando sobre o comércio do Reino Unido, antes de subir para níveis potenciais“, alertou.

“Projeta-se que a atividade seja apoiada pelas políticas monetárias mais acomodatícias em todas as principais áreas económicas que os mercados agora esperam”, referiu o Banco de Inglaterra. Em linha com a perspetiva de políticas monetárias acomodatícias, o comité decidiu por unanimidade não fazer qualquer alteração nos seus instrumentos.

Assim, os juros de referência continuam em 0,75% e os estímulos monetários mantêm-se ao ritmo atual. O banco central irá continuar com o stockde compras de dívida empresarial não financeira, em grau de investimento e libras, financiada pela emissão de reservas do banco central, em 10 mil milhões de libras, e o stock de compra de dívida pública do Reino Unido, a 435 mil milhões de libras.

A dois meses da data prevista para o Brexit, o processo de saída do bloco comunitário continua sem se concretizar no Parlamento britânico. May regressou a Bruxelas para tentar renegociar o acordo devido à polémica salvaguarda irlandesa, apesar de a UE garantir que não reabrirá o documento. O Banco de Inglaterra reafirmou que a resposta da política monetária ao Brexit — especialmente caso ocorra sem acordo — não é certa e poderá tanto subir como descer os juros de referência.

(Notícia atualizada às 13h)

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