Há um mês na SIC, Cristina Ferreira lidera as manhãs. RTP foi a mais castigada

A 7 de janeiro estreava o "Programa da Cristina", a aposta da SIC para destronar a TVI. E conseguiu. Mas não foi a TVI que perdeu audiências. Na verdade, foi a RTP.

Cristina Ferreira pôs a SIC na liderança das manhãs em dias úteis. A TVI continuou a liderar a TV em sinal aberto no allday, mostram os dados da GfK/CAEM, a que o ECO teve acesso.Paula Nunes / ECO

O grupo Impresa está a colher os frutos da nova estratégia na programação. Um mês depois da estreia, já é claro que o Programa da Cristina é líder de audiências das manhãs, algo que não acontecia desde fevereiro de 2008. Mas os dados mostram que Cristina Ferreira não “roubou” público ao antigo parceiro, Manuel Luís Goucha: o share da TVI nas manhãs também subiu em cadeia, depois de, na reta final de dezembro, a estação ter apostado no formato Monte do Manel e, já em janeiro, ter estreado no Você na TV! um novo cenário e uma nova apresentadora, Maria Cerqueira Gomes.

Dados recolhidos pela GfK/CAEM, consultados pelo ECO, mostram que, no horário daytime (das 10h12 às 12h59), entre 7 de janeiro e 5 de fevereiro, a SIC liderou com um share médio de 33,5%, contra 19,1% da TVI. Além disso, o canal da Impresa alcançou um share de 19,2% na média total dos dias úteis no mês de janeiro. Já o share da TVI foi de 18,8%, inferior ao da SIC em 0,4 pontos percentuais. Ou seja, a SIC tornou-se líder nas manhãs, tendo passado de um share de 17,6% em dezembro para 19,2% no primeiro mês de 2019, altura em que a Impresa implementou a nova grelha.

No entanto, os dados também mostram que Cristina Ferreira não arrebatou audiência ao canal concorrente. Isto porque, em janeiro, o share da TVI em dias úteis também aumentou face a dezembro, ainda que de forma marginal, em 0,1 pontos percentuais (com a ressalva de que, na segunda metade de dezembro, a TVI emitiu o Monte do Manel e, no início de janeiro, estreou o novo cenário e a nova apresentadora do Você na TV!). Uma análise mais aprofundada às tabelas de audiências permite concluir que o prejuízo maior em matéria de audiências foi registado pelo grupo RTP, que fechou o primeiro mês do ano a perder quota em sinal aberto.

Ora veja-se. Em dias úteis, durante o mês de dezembro, o share da RTP 1 era de 13,7%, mas caiu para 12,8% no final de janeiro. Já o acumulado dos outros canais em sinal aberto — RTP 2, RTP 3 e RTP Memória — recuou de 11,3% em dezembro para 9,8% em janeiro. Foi este o “efeito Cristina” na TV em sinal aberto no país. Até porque, alargando o espetro à oferta de canais por subscrição, até estes cresceram em share, na ordem dos 0,8 pontos percentuais.

O Programa da Cristina estreou-se a 7 de janeiro na programação da SIC, com uma audiência histórica de 40,1% de share no primeiro dia, que cresceu para 40,9% no dia seguinte devido ao fator “novidade”. Já nessa altura, a tendência de estabilização das audiências com o tempo era evidenciada pelos dados da GfK/CAEM, com uma ligeira recuperação da TVI nessa primeira semana, em que estreou a nova aposta da SIC. Dados adicionais obtidos pelo ECO mostram que, nas restantes semanas após a estreia e até ao fim do mês, o share médio do programa foi de 33,3%.

Em traços gerais, é este o raio-X de um programa que deu novo fôlego à Impresa e que teve entre os convidados nomes como o do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, ou da líder do CDS-PP, Assunção Cristas (e que protagonizou, logo na estreia, o momento insólito do telefonema do Presidente da República). Todos estes momentos alcançaram com eficácia o perfil demográfico característico deste tipo de programas. O telespetador médio é mulher, adulta, com idade entre os 65 e 74 anos, de classe média-baixa e oriunda do norte do país, como noticiou o ECO em meados do mês passado.

Desde a estreia de Cristina Ferreira, a Impresa também fez outras mexidas na grelha: Conceição Lino regressou ao pequeno ecrã com o conteúdo informativo A Rede, que o grupo controlado pela família Balsemão garante ter sido o “conteúdo informativo mais visto em janeiro”, e foi efetivada a mudança de instalações da redação, que passou de Carnaxide para o novo edifício em Paço de Arcos. Além disso, a SIC Notícias também foi alvo de uma modernização da identidade visual.

Todas estas novidades estão a fazer subir o valor do grupo em bolsa. Entre todas as ações da bolsa de Lisboa, as da Impresa são as que registam o melhor desempenho, com uma valorização acumulada superior a 50% desde o começo de 2019. Os títulos estão a cotar em 21 cêntimos, dando à dona da SIC uma capitalização bolsista na ordem dos 35,45 milhões de euros. Para comparação, a concorrente Media Capital, que tem a maior quota de mercado, tem um valor de mercado de cerca de 224,81 milhões de euros.

(Artigo atualizado para clarificar que, durante parte do mês de dezembro, a TVI emitiu o programa Monte do Manel e não o Você na TV!)

Evolução das ações da Impresa na bolsa de Lisboa

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