PCP admite acompanhar projeto do Bloco para exonerar Carlos Costa

Jerónimo de Sousa reconhece que "há uma responsabilização que deve ser apurada" e admite votar favoravelmente o projeto do Bloco para exonerar o governador do Banco de Portugal.

O PCP ainda não avaliou o projeto de resolução do Bloco de Esquerda que propõe a exoneração do governador do Banco de Portugal, mas admite acompanhar a iniciativa dos bloquistas, se houver “prova” de que Carlos Costa não acompanhou devidamente processos como o da Caixa Geral de Depósitos (CGD). A posição foi assumida, esta segunda-feira, pelo líder do partido, Jerónimo de Sousa.

“Foram diversos os momentos em que nós criticámos o papel do supervisor, não só em relação ao processo da Caixa, mas em relação a outras instituições financeiras”, começou por apontar Jerónimo de Sousa, em declarações transmitidas pela RTP 3.

O líder dos comunistas referia-se a casos como o do Banco Espírito Santo (BES) ou o do Banif, que já levaram o Bloco a apresentar, em 2017, um projeto de resolução para que o Governo avaliasse a exoneração do governador do Banco de Portugal. Na altura, o PCP votou a favor deste projeto, que acabou chumbado com os votos contra do PS, PSD e PAN.

O Bloco de Esquerda apresentou, esta segunda-feira, um novo projeto de resolução que recomenda ao Governo que exonere Carlos Costa do seu cargo, desta vez pelo seu envolvimento na concessão de créditos ruinosos por parte da CGD, e Jerónimo de Sousa admite voltar a votar favoravelmente esta proposta.

“É o Governo que toma a iniciativa, ouvida a Assembleia da República. Caso os fundamentos dessa proposta mereçam o nosso acolhimento e a nossa atenção, fá-lo-emos, no quadro de outras situações em que também faltou acompanhamento em matérias tão sensíveis”, afirmou Jerónimo de Sousa. “Há aqui uma responsabilização que deve ser apurada. Essa resolução vai ser considerada e estamos disponíveis para essa consideração, partindo de dados objetivos e de prova de que tais processos não mereceram do governador aquilo que se exigiria, que era o acompanhamento e a supervisão”, acrescentou.

Aumenta, assim, a pressão em torno de Carlos Costa, que já pediu escusa das decisões do Banco de Portugal que resultem das conclusões da auditoria feita pela EY à gestão da Caixa no período de 2000 a 2015. Também o CDS já admitiu que não exclui um pedido de exoneração, enquanto o PSD assume que “não há intocáveis” e disse já que quer ouvir Carlos Costa na próxima comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco público. O Governo, por seu lado, garante que “serão tiradas todas as consequências, sem olhar a quem”.

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