Deloitte só alertou a Caixa para risco das participações no BCP e EDP

  • ECO
  • 20 Fevereiro 2019

A Deloitte era a auditora a CGD entre 2002 e 2017. Não fez qualquer ênfase sobre os empréstimos que agora a EY revelou terem sido ruinosas para o banco.

A Deloitte, auditora da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2002 e 2017, não alertou para o risco dos empréstimos que se revelaram ruinosos, no relatório da EY à gestão do banco público, segundo revela o Jornal de Negócios (acesso pago). Os relatórios e contas da CGD, consultados pelo diário, mostram que a Deloitte se limitou a sinalizar as participações da instituição financeira em entidades como o BCP e a EDP.

O relatório da EY indica que a participação da CGD no BCP acabou por gerar uma perda de 559 milhões de euros. O negócio teve início em 2000, quando as contas do banco público ainda eram auditadas pela Magalhães, Neves e Associados. Entre 2004 e 2006, uma estratégia de desinvestimento levou a perdas de 366 milhões de euros e foi nessa altura que a Deloitte começou os alertas.

“No exercício de 2004, a CGD registou por contrapartida de reservas e resultados transitados provisões para a totalidade das menos-valias potenciais nas suas participações financeiras no Banco Comercial Português e na na EDP – Eletricidade de Portugal”, refere a ênfase da Deloitte, no relatório de auditoria aos resultados de 2004 da CGD, citada pelo Negócios.

Já no caso dos créditos concedidos pelo banco, a Deloitte não fez qualquer alerta nas contas da Caixa. Contactada pelo jornal, a Deloitte não fez comentários, enquanto fonte oficial da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) garantiu que o regulador está a “desenvolver as diligências necessárias”.

A CGD aprovou, entre 2000 e 2015, a concessão de 13 créditos que mereceram parecer desfavorável da Direção Global de Risco, sem que a administração tenha apresentado qualquer justificação para essa decisão. Estas 13 operações, a maioria das quais com o aval de António de Sousa ou de Carlos Santos Ferreira, acabaram por resultar em perdas de 48 milhões de euros. Nas operações de reestruturação que mereceram chumbo mas avançaram na mesma, o banco perdeu quase dez vezes mais.

Os dados constam da versão final da auditoria realizada pela EY aos atos de gestão no banco público entre 2000 e 2015, que foi divulgada pela Assembleia da República. Na semana passada, o Parlamento aprovou a constituição da terceira comissão parlamentar de inquérito que o banco público como objeto. Ao mesmo tempo, já está promulgada a lei que permite que as comissões parlamentares de inquérito tenham acesso à informação solicitada aos bancos, que, até agora, têm invocado, por várias vezes, o segredo bancário ou o sigilo profissional para recusarem ceder informações.

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