CTT cortam dividendo em mais de 70% para 10 cêntimos

Os CTT registaram lucros abaixo dos 20 milhões de euros no ano passado, uma quebra de 28% face ao ano anterior. Os custos com a reestruturação pesaram nos resultados da empresa de correios.

Os CTT registaram lucros abaixo dos 20 milhões de euros no ano passado, uma quebra de 28% face ao ano anterior. Os custos com a reestruturação pesaram nos resultados da empresa liderada por Francisco Lacerda, ditando uma quebra de mais de 70% dos dividendos a distribuir.

“O resultado líquido reportado de 19,6 milhões de euros foi influenciado pelas indemnizações pagas por rescisão dos contratos de trabalho por mútuo acordo de 20,7 milhões de euros, sobretudo no âmbito do Plano de Transformação Operacional”, refere a empresa em comunicado enviado à CMVM.

Os CTT dizem que “atingiram o objetivo de EBITDA recorrente em 2018, estabelecido pela gestão da empresa, crescendo 0,6% para 90,4 milhões de euros, devido ao desempenho do negócio de Correio e Expresso & Encomendas”, tendo as receitas crescido 1,4% para 708 milhões. O negócio de Correio cresceu 0,8% no ano, com um abrandamento da quebra do tráfego de correio endereçado, dizem os CTT.

“O aumento dos rendimentos operacionais dos CTT é impulsionado pela evolução positiva do mix de produtos no negócio de Correio, que compensou a queda do tráfego de correio endereçado, e pelo crescimento dos rendimentos operacionais de 12,3% na área de Expresso & Encomendas e de 27,0% no Banco CTT.

Dividendo afunda. CTT dão 75% dos lucros

O Correio e outros rendimentos representaram 69% do total dos rendimentos recorrentes dos CTT (491,0 milhões de euros), o Expresso & Encomendas 21% (151,2 milhões de euros), os Serviços Financeiros 6% (42,3 milhões de euros) e o Banco CTT 3% (23,6 milhões de euros) — tendo sido, no entanto, o negócio que mais cresceu: 27%

Francisco de Lacerda, presidente executivo dos CTT, considera que “os resultados de 2018 mostram que a estratégia de diversificação dos CTT está a ser bem-sucedida, com o Expresso & Encomendas e o Banco CTT a registarem um desempenho muito positivo e a compensar a queda estrutural do tráfego de correio tradicional”.

Apesar disso, os lucros encolheram, obrigando os CTT a uma revisão da política de dividendos. “Em linha com a política de dividendos anunciada, o Conselho de Administração irá propor um dividendo de 0,10 euros por ação, relativo ao exercício de 2018″, diz a empresa, apontando assim para um corte de 73,6% face aos 38 cêntimos pagos no ano passado.

Mesmo com a redução do valor do dividendo, ao pagar dez cêntimos por ação, a empresa liderada por Francisco Lacerda estará a entregar 15 milhões de euros aos acionistas, ou seja, 75% dos lucros obtidos no ano passado.

Encomendas e Banco vão puxar pelos CTT

“Para 2019, os CTT preveem um aumento dos rendimentos operacionais, sustentado por impactos orgânicos e inorgânicos nas alavancas de crescimento (Expresso & Encomendas e Banco CTT). A queda do tráfego de correio endereçado deverá situar-se no intervalo de [-6% a -8%]”, refere os CTT. “O Plano de Transformação Operacional (PTO) deverá produzir poupanças de cerca de 15 milhões de euros nos gastos operacionais recorrentes”, diz a empresa.

Num ano em que serão investidos 55 milhões de euros, dos quais 25 milhões relacionados com iniciativas do PTO de modernização e automatização, os CTT esperam “um aumento do EBITDA recorrente orgânico, refletindo as melhorias contínuas de eficiência. Adicionalmente, espera-se o contributo positivo da aquisição da 321 Crédito”.

(Notícia atualizada às 17h05 com mais informação)

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