Endividamento da economia fecha 2018 em 357% do PIB. Baixou face a 2017

O endividamento do setor não financeiro inclui o endividamento de toda a economia deixando de fora a banca. Face ao ano anterior, os dados do Banco de Portugal revelam uma redução.

A economia portuguesa fechou o ano passado com um endividamento igual a 716,1 mil milhões de euros, menos 700 milhões do que no ano anterior, revelou o Banco de Portugal esta quinta-feira. O endividamento medido em percentagem do PIB baixou de 368,4% do PIB para 357%.

Este é o registo mais baixo desde o terceiro trimestre de 2010. O endividamento da economia está a descer há 17 trimestres seguidos.

Em novembro de 2018, o endividamento do setor não financeiro tinha ficado em 723,1 mil milhões de euros, o que mostra uma descida na reta final do ano passado.

Mais de metade do endividamento resulta da dívida do setor privado (onde estão empresas mas também famílias). Dos 716,1 mil milhões de euros, 317 mil milhões de euros respeitavam ao setor público e 399,1 mil milhões de euros ao setor privado.

No entanto, foi o setor privado que permitiu uma redução do endividamento total da economia. “Esta redução resultou do incremento de 4,8 mil milhões de euros no endividamento do setor público e do decréscimo de 5,5 mil milhões de euros no endividamento do setor privado”, diz o banco central na nota de informação estatística publicada esta quinta-feira.

O endividamento do setor não financeiro inclui o endividamento das empresas do setor público, privado e dos particulares. De fora deste indicador calculado pelo Banco de Portugal fica a dívida das instituições financeiras.

O banco explica que “a subida do endividamento do setor público refletiu-se no aumento do financiamento concedido pelo setor financeiro, pelas próprias administrações e pelos particulares. Este aumento foi parcialmente compensado pela diminuição do financiamento concedido pelo exterior e pelas empresas”.

“Observou-se o decréscimo do endividamento das empresas privadas em 6,2 mil milhões de euros. Este decréscimo traduziu-se, sobretudo, na redução do endividamento face às empresas, ao setor financeiro e aos particulares, parcialmente compensado pelo aumento do financiamento externo. Por sua vez, o endividamento dos particulares aumentou 0,7 mil milhões de euros [676 milhões de euros], destacando-se o incremento do endividamento externo, fruto de operações de cessão de crédito por parte de instituições financeiras residentes a entidades não residentes”, acrescenta o banco.

Os dados revelados pelo banco central mostram também que a redução do endividamento das empresas privadas é transversal a praticamente todos os tipos de empresas com exceção das microempresas, que em Portugal são 344 mil.

(Notícia atualizada)

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