ADSE precisa de mais cem mil beneficiários para sobreviver

  • ECO
  • 2 Março 2019

Um relatório entregue ao governo diz que para além de aumentar o número de contribuintes, a ADSE precisa de ter ainda apoio do Orçamento do Estado e de combate às fraudes.

Medidas “urgentes” para permitir que a ADSE continue a existir. A urgência consta de um relatório a que o Diário de Notícias (acesso pago) teve acesso e que diz que entre as medidas necessárias para garantir a sobrevivência da ADSE estão o alargamento a cem mil trabalhadores com contratos individuais na administração pública, bem como a adoção rápida de instrumentos de controlo da despesa e dos “consumos excessivos promovidos por prestadores e mesmo a fraude“. Mesmo assim a sustentabilidade do sistema só será garantida em 2023.

O Conselho Geral e de Supervisão da ADSE é o autor deste relatório que já foi entregue ao executivo liderado por António Costa, e que ainda aguarda por uma reação. O documento de dezembro de 2018 foi entregue acompanhado por uma proposta de decreto-lei com vista ao alargamento da ADSE de forma a garantir a continuidade do sistema de saúde dos funcionários públicos.

O relatório prevê que em 2021 os custos com a saúde sejam praticamente iguais às receitas. Daí que não seja possível, com o atual nível de financiamento, garantir por muito tempo aumentos anuais da despesa de 9,6% e mesmo de 5,8%, refere o relatório.

O Conselho Geral e de Supervisão entende ainda que a entrada de oito mil funcionários que anualmente se verifica na administração pública é insuficiente para travar a queda da ADSE. Desde 2014 saíram 81 mil contribuintes.

Para além da falta de contribuintes para o sistema, o documento fala também de consumos excessivos como sendo outro dos grandes problemas do sistema de saúde dos funcionários públicos. Nomeadamente, no que diz respeito ao elevado número de consultas.

O problema de a ADSE estar a pagar a centenas de beneficiários “internamentos médico-cirúrgicos”, cuja despesa pode atingir 200 euros por dia, de acordo com a tabela do regime livre, quando verdadeiramente são cuidados continuados cujo custo é inferior a 70 euros por dia, o que determina para a ADSE um custo superior a 20 milhões de euros/ano.”, é outro dos sinais de alerta identificados pelo Conselho Geral e de Supervisão da ADSE.

Para tornar esta fiscalização e o combate à fraude mais eficaz, propõe por isso que se capacite a ADSE de recursos humanos especializados.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

ADSE precisa de mais cem mil beneficiários para sobreviver

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião