A radiografia aos resultados da banca em 2018

  • ECO e Lusa
  • 2 Março 2019

Os cinco maiores bancos passaram de prejuízos a lucros de forma agregada em 2018, ganharam mais com comissões e cortaram no número de balcões e de trabalhadores.

Depois de o Novo Banco ter anunciado os seus resultados, nesta sexta-feira, fica fechado o ciclo da divulgação das contas anuais de 2018 dos cinco maiores bancos do sistema financeiro nacional. Em três pontos fique a conhecer a radiografia agregada a alguns dos principais números das suas contas no ano passado.

1- Saldo agregado positivo. Atinge 375,1 milhões de euros

Os cinco maiores bancos a operar em Portugal registaram um saldo positivo de 375,1 milhões de euros nas suas contas em 2018, o que compara com um saldo negativo de 1.613,5 milhões em 2017.

Entre 2017 e 2018 registou-se uma melhoria de 1.988,6 milhões de euros nos resultados dos cinco maiores a operar em Portugal, de 1.613,5 milhões negativos para 375,1 positivos, de acordo com cálculos feitos pela agência Lusa.

O número é sobretudo alicerçado nos lucros do BPI e da CGD, e penalizado pelos prejuízos do Novo Banco.

A instituição liderada por António Ramalho foi o único dos cinco maiores bancos a dar prejuízo, que totalizou 1.412,6 milhões de euros em 2018.

As contas de 2017 foram também atualizadas, já que o Novo Banco revelou, na sua apresentação de resultados de 2018, que contabilizou os prejuízos de 2017 em 2.298 milhões de euros, e não nos 1.395 milhões apresentados anteriormente.

Sem os números do Novo Banco, os bancos Santander Totta, BPI, BCP e Caixa Geral de Depósitos fecharam o ano com um lucro agregado de 1.787,7 milhões de euros.

Em 2018, o BPI, detido na totalidade pelo espanhol CaixaBank, aumentou substancialmente os lucros, em 480,4 milhões de euros, passando de 10,2 milhões em 2017 para os 490,6 milhões em 2018.

Já a CGD, detida pelo Estado português, também registou um aumento acentuado, passando de um lucro 51,9 milhões de euros em 2017 para 496 milhões de euros em 2018, uma melhoria de 444,1 milhões.

O BCP, detido em 27,1% pela chinesa Fosun, registou uma subida menos acentuada em termos nominais, com o banco liderado por Miguel Maya a passar de 186,4 milhões de euros em 2017 para 301,1 milhões em 2018, um aumento de 114,7 milhões de euros.

Já a filial do espanhol Santander em Portugal registou a menor subida nos lucros, com um aumento de 64 milhões de euros em 2018, devido ao resultado operacional positivo de 500 milhões de euros no ano passado, contrastantes com os 436 de 2017.

Em 2016, o saldo acumulado dos cinco bancos tinha sido negativo, com os prejuízos da CGD, de 1.859 milhões de euros, e do Novo Banco, de 788,3 milhões, a não acompanharem os lucros de 395,5 milhões de euros do Santander Totta, de 313,2 milhões do BPI e de 23,9 milhões do BCP.

2- Comissões aumentaram. Foram mais 75 milhões

As comissões angariadas pelos maiores bancos também engordaram. Foram mais quase 75 milhões de euros em 2018 face a 2017, nas operações em Portugal.

A Caixa Geral de Depósitos cobrou o ano passado em Portugal 383,3 milhões de euros em comissões, mais 2,3% do que em 2017, quando foram 374,5 milhões de euros.

O aumento da cobrança de comissões pelo banco público, um dos objetivos definidos no plano estratégico acordado com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização pública, tem provocado muita polémica nos últimos dois anos.

Já o BCP cobrou comissões totais de 475,2 milhões de euros, mais 4,3% do que os 455,5 milhões de euros de 2017.

O Santander Totta cobrou 372,4 milhões de euros em comissões líquidas este ano, 12,5% acima de 331,1 milhões em 2017, e o BPI teve comissões líquidas em Portugal de 277,8 milhões de euros, mais 5,6% do que os 263 milhões de 2017.

Por fim, o Novo Banco, que apresentou contas na sexta-feira, desceu na cobrança de comissões líquidas (no banco recorrente, sem contar com o legado do BES), passando de 319,2 milhões de euros em 2017 para 309,2 milhões de euros em 2018 (-3,1%).

No total, os cinco principais bancos cobraram o ano passado 1.818 milhões de euros em comissões, acima dos 1.743,3 milhões de euros de 2017.

As receitas de comissionamento arrecadadas em 2018 dizem respeito a dois tipos de serviços: serviços mais diretamente relacionados com a banca tradicional (abertura de processos de crédito, aberturas de conta e transferências, por exemplo) e serviços relacionados com atividade de mercados financeiros (operações em bolsa, comissões de corretagem e gestão de ativos, entre outros).

As comissões cobradas têm sido tema de debate nos últimos anos, quando os bancos alteraram preçários (passando a cobrar por operações bancárias de rotina, como comissões de manutenção de conta ou transferências de dinheiro), para compensar quedas de receitas noutras rubricas da conta de resultados.

3- Número de balcões e de trabalhadores volta a emagrecer

Os cinco maiores bancos a operar em Portugal reduziram o seu número de trabalhadores em 1.423 e o de agências em 321 durante o ano de 2018. Passaram de 32.377 trabalhadores em 2017 para 30.954 em 2018, nas suas operações nacionais.

Em Portugal, o Novo Banco, liderado por António Ramalho, terminou 2018 com 4.804 trabalhadores, menos 352 que os 5.156 registados um ano antes.

A maior descida registou-se na CGD, que contava em dezembro de 2018 com menos 646 pessoas na sua folha de pessoal, fruto da passagem de 8.321 trabalhadores em 2017 para 7.675 em 2018.

Ao banco público seguiu-se o Santander Totta, registando menos 289 trabalhadores em 2018, uma redução de 6.781 pessoas para 6.492, e depois o BCP, que na sua atividade em Portugal contou com 94 funcionários a menos, tendo fechado 2018 com 7.095 trabalhadores.

O BPI foi a instituição financeira que registou menos diminuições de pessoal, com 4.888 trabalhadores no final de 2018, menos 42 pessoas do que em 2017 (4.930).

Em termos de agências, o total de 321 estabelecimentos a menos (de 2.714 em 2017 para 2.393 em 2018) deve-se sobretudo à atividade de encerramento do Santander Totta, com menos 147 balcões.

A filial do espanhol Santander em Portugal completou o seu processo de fusão com o Popular durante o ano de 2018.

Assim, o banco, cuja liderança é encabeçada por Pedro Castro e Almeida, acabou 2018 com 523 agências, o que compara com as 670 no final de 2017.

Na tabela de encerramentos segue-se o banco liderado por António Ramalho, que na sua atividade em Portugal terminou 2018 com 381 balcões, uma descida de 67 face aos 448 no final de 2017.

Na contabilidade de encerramentos conta-se, ainda, a Caixa Geral de Depósitos, que fechou 65 agências em 2018, passando de 587 em 2017 para 522 no final do ano passado.

O BCP, liderado por Miguel Maya, acabou 2018 com 546 agências em Portugal, menos 32 do que as 578 existentes no final de 2017.

Já o BPI contou com menos dez balcões, uma diferença justificada pelos 421 balcões existentes no final de 2018 face aos 431 de 2017.

Fora destes números ficam os 292 trabalhadores das operações do Novo Banco no estrangeiro, bem como os seus 21 balcões fora de Portugal.

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